TAP reitera interesse estratégico em reforçar rota Brasil em que é líder europeia

Lisboa, 10 set 2026 (Lusa) – A TAP reitera a importância estratégica do Brasil, destino que quer desenvolver, e para onde opera em 10 estados de forma exclusiva e é líder europeia, em ano de celebração dos 60 anos da ligação ao Rio de Janeiro.

A companhia celebra em 2026 os 60 anos da rota regular entre Lisboa e o Rio de Janeiro, destino que é um dos três mais importantes da TAP naquele mercado, a par de São Paulo e do Recife, e assinalou a data, na quarta-feira à noite, no Estoril (Cascais).

“É, de facto, um enorme gosto celebrarmos, como celebrámos há uns meses, em junho, no Rio de Janeiro, esta ligação, que é uma ligação de amizade, de cultura e de muito mais”, disse o presidente do Conselho de Administração da TAP, Carlos Oliveira, antes de enumerar alguns números “relevantes de ressaltar” nesta ligação, que “demonstra a aposta estratégica que a TAP tem feito ao longo das últimas décadas no Brasil”.

Segundo o responsável, em 2025 foram mais de 2,2 milhões os passageiros que a TAP transportou entre os dois continentes, entre Europa e América do Sul, em particular no Brasil.

“E isto torna a TAP a companhia europeia líder nesta ligação. E esta ponte é, de facto, uma ponte de cultura, uma ponte de amizade, uma ponte de negócios também, que a TAP vai continuar a reforçar em um dos seus grandes ativos […], reforço estratégico que a TAP põe no Brasil”.

A partir de 26 de outubro, a TAP passa a ter 15 ligações diretas com o Brasil e em 10 das quais, a transportadora portuguesa “é a única companhia que mantém exclusividade”, sublinhou o responsável.

“Dizemos muitas vezes em tom de brincadeira, que para grande parte dos estados do Brasil, pelo menos para 10, a TAP é a sua companhia de bandeira, porque é aquela companhia que permite colocar estrangeiros diretamente nesse Estado e também trazer brasileiros e estrangeiros até a Europa, não apenas até Portugal. É importante dar esta nota”, disse Carlos Oliveira.

“Estamos entre duas direções, cerca de 35% (dos passageiros) ficam em Portugal. A TAP é um conector do Brasil e da Europa e é nesse papel que Portugal tem aqui este seu contexto importante”, concluiu.

A TAP está em privatização e a posição que detém no Brasil é um dos ativos importantes para o interesse das duas companhias europeias na corrida à entrada no seu capital, Air France-KLM e Lufthansa.

O Governo anunciou na sexta-feira que vai iniciar uma fase final de negociações com a Air France-KLM e a Lufthansa, os dois concorrentes que apresentaram propostas vinculativas para a compra de 44,9% da TAP.

Segundo o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, as duas ofertas têm uma “avaliação global muito próxima”, razão pela qual o executivo decidiu avançar com uma ronda adicional antes de selecionar um único concorrente.

A resolução do Conselho de Ministros publicada, entretanto, estabelece que esta etapa de negociação terá a duração de três semanas e permitirá a apresentação de propostas vinculativas finais e melhoradas.

O processo de privatização prevê a venda de até 49,9% do capital da TAP, estando 5% reservados aos trabalhadores. A parcela que não venha a ser subscrita pelos trabalhadores poderá ser adquirida pelo investidor selecionado, ao abrigo de um direito de preferência.

A Air France-KLM e a Lufthansa entregaram as suas propostas vinculativas em 29 de julho.

A decisão final sobre o investidor terá ainda de ser aprovada em Conselho de Ministros e ficará sujeita, entre outros passos, à autorização das autoridades europeias da concorrência, tendo o Governo prorrogado até final do ano o prazo para conclusão da privatização da TAP, para permitir, assim, a apresentação das propostas vinculativas melhoradas.

A TAP registou um prejuízo de 99,2 milhões de euros até junho, mais que os cerca de 70 milhões de euros do período homólogo, com a subida do combustível a pressionar as contas. Ainda assim, aumentou as receitas e transportou um número recorde de passageiros.

MSF (SCR/PD) // JNM

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