
Pequim, 10 set 2026 (Lusa) — Os veÃculos elétricos e hÃbridos representaram um recorde de 65,2% das vendas de automóveis na China em agosto, numa altura em que a subida dos preços dos combustÃveis acelera o abandono dos modelos a gasolina.
Segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA, na sigla em inglês), divulgados hoje, 65,2% dos 1,54 milhões de automóveis vendidos no mês passado na China continental foram totalmente elétricos ou hÃbridos com carregamento externo.
A percentagem superou o anterior máximo histórico de 65,1%, registado em julho.
“Os consumidores estão agora convencidos das vantagens dos veÃculos elétricos, numa altura em que a ansiedade relacionada com a autonomia foi, em grande medida, ultrapassada”, afirmou Zhao Zhen, diretor de vendas do concessionário Wan Zhuo Auto, sediado em Xangai, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.
“Podem esperar-se taxas de penetração mais elevadas à medida que mais condutores abandonam os automóveis a gasolina”, acrescentou.
O aumento do peso dos elétricos ocorre apesar da contração do mercado automóvel chinês, afetado pelo abrandamento da segunda maior economia mundial.
Em agosto, as vendas de automóveis a gasolina caÃram 40% em termos homólogos, enquanto as entregas de veÃculos elétricos recuaram 10,1%, segundo a CPCA.
A guerra no Irão terá acelerado a transição, ao provocar uma subida dos preços do petróleo e, consequentemente, dos custos dos combustÃveis.
O petróleo Brent negociava-se na quarta-feira em torno de 97 dólares (83 euros) por barril, cerca de 34% acima do nÃvel registado no final de fevereiro, quando eclodiu o conflito.
Segundo uma estimativa do banco suÃço UBS divulgada em março, caso o petróleo se mantenha em torno dos 90 dólares (77 euros) por barril, os condutores chineses de automóveis a gasolina poderão gastar anualmente mais cerca de 2.000 yuan (256 euros) em combustÃvel face aos nÃveis anteriores à guerra.
A crescente oferta de modelos elétricos equipados com sistemas avançados de assistência à condução e outras tecnologias tem também contribuÃdo para convencer os consumidores chineses, segundo concessionários citados pelo SCMP.
A China tem, em paralelo, expandido rapidamente a rede de carregamento.
O paÃs dispunha, no final de julho, de 5,1 milhões de postos públicos de carregamento para veÃculos elétricos, mais 21,3% do que um ano antes, segundo a Aliança Chinesa para a Promoção da Infraestrutura de Carregamento de VeÃculos Elétricos.
Os pontos de carregamento domésticos atingiram quase 18,6 milhões, um aumento homólogo de 48,8%.
A taxa de penetração dos veÃculos elétricos continua, no entanto, a subir apesar da redução dos subsÃdios e dos benefÃcios fiscais concedidos por Pequim.
Os compradores de um automóvel elétrico de 100.000 yuan (12.807 euros) recebem atualmente um subsÃdio de 12.000 yuan (1.536 euros), menos 40% do que no ano passado, e estão sujeitos a um imposto de 5% sobre a aquisição do veÃculo, depois de estes automóveis terem estado anteriormente isentos.
Entre janeiro e agosto, os fabricantes chineses entregaram 6,67 milhões de veÃculos elétricos no mercado doméstico, menos 11,6% do que no mesmo perÃodo do ano anterior, segundo a CPCA.
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JPI // VM
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