
Porto, 10 set 2026 (Lusa) — A Garagem Atlântico, no Porto, vai renascer em 2028 como espaço criativo e cultural, num investimento superior a 10 milhões de euros, de investidores estrangeiros, que apostaram num equipamento que junta cultura, arte, design, empreendedorismo, lojas, comida e bebida.
Com abertura em pleno prevista para 2028, o espaço, na zona da Batalha, terá ainda assim várias aberturas temporárias ao longo do tempo, a primeira das quais a começar hoje, e até domingo, com música, gastronomia e outras atrações, para saciar os muitos curiosos que vão espreitando para o antigo terminal rodoviário.
Nas laterais da saÃda da garagem, na Rua de Alexandre Herculano, a dois passos do Teatro Nacional São João, ainda se pode encontrar letreiros como vestÃgios dessa antiga vida como interface de autocarros, até dos turÃsticos, que agora estacionam à porta.
Como explica à Lusa Filipe Teixeira, uma das pessoas por detrás do projeto, tanto na equipa como em quem contacta com o novo projeto “há sempre uma história”, de uma namorada que vivia fora da cidade e que iam buscar à central de camionetas a viagens para outros pontos do paÃs, ao longo de décadas nessa função, que terminou em 2017.
O projeto representa um investimento superior a 10 milhões de euros, já incluindo a compra do imóvel, suportado por cerca de 40 investidores, todos eles estrangeiros, alguns dos quais a viver no Porto.
Por estes dias, o projeto abre-se ainda com a arquitetura como estava aquando da aquisição, mostrando não só um “vislumbre” desse passado, que acabou em 2017, mas teve 40 anos nessa função, como uma ideia do futuro, em que espaços de trabalho, lojas ‘pop up’, que podem ser alugadas por um mês para “testar uma marca” ou mais tempo, pequenos criadores e ‘start ups’ se cruzam com comida, bebida, música, teatro e dança, entre outras expressões artÃsticas, como a arte urbana que já se nota agora em algumas das paredes.
“Decidimos abrir as portas porque muita gente queria entrar. Surgiu a ideia de fazer aqui um ‘test drive’, com concertos, ‘food trucks’, dar a oportunidade à s pessoas para talvez fazer olhar final ao passado. Ainda assim, o projeto que o [arquiteto] Sérgio Rebelo está a desenvolver vai encaixar aqui no miolo, mantendo todas as estruturas, o teto, as paredes, o chão. Tentar manter ao máximo todo este património, mantê-lo vivo”, explica.
O desenho do novo espaço, com um segundo piso acima do chão onde antes estacionavam as garagens, está a cargo do arquiteto Sérgio Rebelo, e vai contemplar um segundo acesso — além de Alexandre Herculano, terá ligação à rua de Entreparedes, permitindo o seu atravessamento, recuperando uma ideia de “bazar”.
O projeto é encabeçado por Filipe Teixeira, ligado ao Plano B e à Pizzaria Generosa, a par de José Rebelo, envolvido no Faktory Club, o OutJazz e o 8 Marvila.
As várias equipas têm-se juntado para pensar o espaço, de uma “espécie de anfiteatro” onde as pessoas podem fazer refeições, ouvir concertos ou conferências, à ‘black box’ mais tradicional, para concertos e teatro, que será instalada, passando pelos muitos espaços dedicados a uma ideia abrangente de criatividade dos promotores, de ‘chefs’ a artistas, passando pelo empreendedorismo e o design.
“Há esse conceito que estamos a explorar, de um laboratório criativo e artÃstico. Dentro desse espaço vivo, que imagino, as pessoas a passarem, a poderem estar aqui para comer ou para ir à s lojas, ou para estar com pessoas, neste sÃtio de atravessamento, de passagem, de estar. Eu imagino que esse sÃtio possa ter concertos…”, refere Filipe Teixeira, que se desdobra em exemplos do “muito” que pode acontecer no espaço.
Projetado para estar aberto de manhã até à s 22:00, durante a semana, permitirá que alguns dos espaços, como a ‘black box’, que terá entrada independente, possam funcionar até mais tarde, por exemplo.
Caberão aqui exposições, livros, dança, uma rádio, estando a ultimar parcerias para esse efeito, e mais, depois de “40 anos como espaço de partidas e chegadas e 10 anos abandonado”, sendo pensado como espaço vivo com “património imaterial”, as histórias de que falava o consultor criativo e artÃstico, que assume também responsabilidade no desenho de luz e de interiores.
“Os investidores tiveram a ‘loucura’ de não fazer aqui um hotel, ou apartamentos, e fazer um espaço ligado à comunidade. Alguns moram em Portugal e achavam que o Porto precisava de um espaço que pudesse atravessar diferentes fases, de manhã à noite, com diferentes propostas, mas ligado à comunidade”, remata.
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