Tiago Rodrigues traz uma distopia que é um “futuro provável” a Lisboa com “A Distância”

Lisboa, 10 set 2026 (Lusa) — O dramaturgo e encenador português Tiago Rodrigues faz hoje, em Lisboa, a estreia nacional da peça “A Distância”, que através da correspondência entre um pai e uma filha retrata um “futuro provável” devido à crise climática e política.

Em declarações à Lusa, Tiago Rodrigues mostrou-se bastante feliz por apresentar, a partir de hoje, na Culturgest, em Lisboa, a peça “La Distance”, numa sala que o tem acolhido desde que dirige o Festival d’Avignon.

“Em primeiro lugar, para mim é sempre muito especial poder apresentar os meus espetáculos em Portugal, sobretudo agora talvez com um valor acrescentado da saudade”, frisou Tiago Rodrigues.

A peça vai ter dez apresentações — já esgotadas – em Lisboa, antes de seguir para o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, onde ainda é possível obter bilhetes.

Além das dez récitas do espetáculo falado em francês, Tiago Rodrigues apresentará também o livro com o texto da peça estreada na edição de 2025 do Festival d’Avignon, dado à estampa pela Tinta-da-China, num evento que decorrerá na sexta-feira, na Culturgest, com a presença da atriz Isabel Abreu e do ator António Fonseca.”

“A apresentação do livro tem um efeito muito particular para mim porque, como nós sabemos, não há muita edição de teatro em Portugal. Os meus textos estão editados de forma muito mais ampla, por exemplo, em França do que em Portugal. Portanto, poder contar com a atenção e o apoio da Tinta-da-china que desde há dois, três anos tem editado alguns dos meus textos é sempre muito particular”, afirmou o encenador.

Para Tiago Rodrigues, este é um texto que “flui quase sem esforço do leitor que está a ler teatro e tem a sensação de que está só a ler o texto ou a dimensão literária daquilo que depois tem de ser imaginado”.

“Esta peça tem esta forma de romance epistolar, de mensagens trocadas entre um pai e uma filha num futuro próximo, lá para 2070, 2077. A filha a viver em Marte num projeto de colonização e o pai amargurado por essa escolha da filha, pela distância, mas também porque não corresponde à sua visão do mundo ainda na Terra, mas uma Terra cada vez menos habitável. E esta correspondência imaginada num futuro — que eu não diria que é distópica, é um futuro provável embora seja triste para o nosso planeta por causa da crise climática e das convulsões políticas — acaba por se ler na forma do livro esquecendo que precisa de teatro para estar completa”, afirmou o dramaturgo.

Apesar de ter muitas peças de teatro em digressão por vários países, Tiago Rodrigues destacou a estreia, este mês, da peça “Catarina e a beleza de matar fascistas” no Teatro Nacional de Londres, considerando-a um “momento particular” no percurso coletivo de artistas portugueses que apresentam, pela primeira vez, um espetáculo falado em português neste grande palco.

Uma apresentação em que, “se não há uma grande pontinha orgulho, há, pelo menos, de vaidade” num espetáculo que há seis anos tem andado em digressão por todo o mundo.

De resto, em outubro, Tiago Rodrigues estará no Japão, onde apresentará “By heart”, e na Coreia do Sul, com “A Distância”.

“Mas o grande projeto para mim é o Festival d’Avignon, que em 2027 irá celebrar 80 anos e a preparação desse festival é o que mais nos ocupa de momento”, disse.

No final deste mês, Tiago Rodrigues terá também o seu primeiro espetáculo escrito e falado em italiano, com a peça “O coro dos amantes” a abrir a temporada 2026-2027 no Teatro Piccolo de Milão, onde será representada de 29 de setembro a 18 de outubro.

Sem revelar mais pormenores, Tiago Rodrigues disse ser este o projeto mais imediato apesar “de haver novas criações que se preparam para o futuro”.

“A Distância” tem texto e direção de Tiago Rodrigues, com Alison Dechamps e Adama Diop na interpretação. Falado em francês, com tradução de Thomas Resendes, o espetáculo terá legendagem em inglês com tradução de Daniel Hahn.

O cenário é de Fernando Ribeiro, os figurinos de José António Tenente e o desenho de luz de Rui Monteiro.

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