Cidades europeias no centro dos perigos das alterações climáticas

Lisboa, 09 set 2026 (Lusa) — As cidades europeias estão na “linha da frente” da crise climática e do impacto que tem na saúde pública, com os riscos a aumentarem especialmente no sul do continente, indica um estudo divulgado hoje.

O alerta faz parte das conclusões de um relatório sobre saúde e alterações climáticas, “Lancet Countdown Europe Cities Report on Health and Climate Change”, no qual se destaca que o calor extremo e os incêndios florestais deste verão tornaram evidente a exposição das cidades às mudanças do clima.

“Novos dados a nível municipal mostram que o aumento do calor, o risco de doenças infecciosas, o perigo de incêndios florestais e a exposição ao pólen estão a aumentar os riscos para a saúde de milhões de residentes urbanos em toda a Europa”, afirma-se num comunicado de divulgação do relatório, no qual se apontam os riscos acrescidos para o sul da Europa.

Nas cidades do sul da Europa a mortalidade relacionada com o calor aumentou 160% entre 1991-2000 e 2015-2024, e o perigo de incêndios florestais também aumentou mais nas cidades do sul no período estudado 2003-2023.

Os autores do documento admitem que as cidades estão a tomar medidas, criando mais espaços verdes, mas advertem que o progresso não acompanha o aumento dos riscos para a saúde e que as ameaças para a saúde continuam a aumentar.

A adequação climática para a disseminação de dengue aumentou 369,3% nas cidades do leste europeu no período 2015-2024, em comparação com o período 1982-2010.

As cidades, defende-se no relatório, necessitam de mais investimento e de um planeamento mais focado na saúde.

Os autores sugerem bairros mais verdes, ar mais limpo, transportes públicos e alimentação mais saudável, que podem reduzir emissões e melhorar a saúde física e mental das pessoas.

O relatório abrange mais de 850 cidades, incluindo algumas das maiores cidades portuguesas, através de 28 indicadores desenvolvidos por 58 investigadores de 31 instituições académicas, que analisam as tendências urbanas relacionadas com as alterações climáticas e a saúde.

Recordando que a Europa está a aquecer mais rapidamente do que qualquer outra região do mundo, os autores indicam que as ilhas de calor urbanas, as elevadas densidades populacionais e os ambientes construídos estão a amplificar a exposição das pessoas a riscos climáticos e a afetar desproporcionalmente a saúde de crianças, idosos, trabalhadores ao ar livre e comunidades de baixos rendimentos.

Além de tornar as condições climáticas mais favoráveis a doenças infecciosas, o aquecimento global também aumentou as concentrações de pólen, que mais do que duplicaram nas cidades do sul e do leste.

O projeto “Lancet Countdown Europe” junta 65 investigadores de topo da Europa, Estados Unidos e Austrália para monitorizar e compreender as relações entre as alterações climáticas e a saúde humana na Europa.

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