
O mercado de trabalho canadiano perdeu 42 mil empregos em agosto, segundo os dados da Statistics Canada. A taxa de desemprego manteve-se nos 6,4%.
O resultado ficou muito abaixo das previsões dos economistas, que esperavam a criação de cerca de 15 mil postos de trabalho. A quebra interrompe uma sequência de quatro meses de crescimento. Entre abril e julho, foram criados 181 mil empregos. Só em julho, foram criados mais 75 mil.
A administração pública foi um dos setores mais afetados, com a perda de 20 mil postos de trabalho. Foi o terceiro mês consecutivo de redução do emprego nesta área. Também os serviços de apoio às empresas, a construção, os recursos naturais e os serviços de utilidade pública registaram quebras.
Na indústria transformadora, contudo, o cenário foi diferente. Apesar do impacto das tarifas dos Estados Unidos da América (EUA), o setor criou 22 mil empregos em agosto.
Os efeitos da guerra comercial poderão, no entanto, ser mais visÃveis nos dados de setembro. Os novos direitos aduaneiros dos EUA sobre cerca de 28 mil milhões de dólares em produtos canadianos entraram em vigor a 22 de agosto. As tarifas de retaliação do Canadá entraram em vigor a 8 de setembro. Â
Também o crescimento dos salários desacelerou. O salário médio por hora aumentou 2% em termos anuais, abaixo dos 2,8% registados em julho e dos 3,3% em junho.
Para os economistas, os dados apontam para um abrandamento da economia, mas não são, por si só, motivo para alarme. O Banco do Canadá manteve a taxa de juro de referência nos 2,25% e tem sinalizado preocupação com o impacto das tarifas na evolução da economia.
Entre os jovens dos 15 aos 24 anos, foram perdidos 19 mil empregos em agosto. Ainda assim, o mercado de trabalho de verão foi melhor do que no ano anterior, com uma taxa média de desemprego de 15,9% entre maio e agosto.



