Guineenses entre trabalhadores resgatados no Brasil em situação análoga à escravidão

Brasília, 09 set 2026 (Lusa) — Uma operação realizada pelo Governo brasileiro resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão em agosto, incluindo 75 mulheres e 13 crianças e adolescentes, bem como 66 migrantes, alguns da Guiné-Bissau, foi hoje divulgado.

Os dados, divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho e Emprego do país, cita entre as vítimas 66 migrantes provenientes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

Chamada Operação Resgate VI, a força-tarefa contou com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que realizaram 231 ações fiscais.

A região Sudeste concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 267 casos, dos quais 208 ocorreram em Minas Gerais e 58 em São Paulo.

Entre os casos está o de uma mulher de 51 anos na cidade de São Paulo, que vivia na residência da empregadora desde os 10 anos e trabalhou durante cerca de 40 anos sem registo formal ou pagamento regular de salários.

Ainda criança, passou a ser responsável por todos os afazeres domésticos da casa, “como lavagem de quintal e louça e arrumação do imóvel, e por cuidar da família da empregadora, incluindo o preparo de refeições” e a passar a ferro as roupas. 

Os auditores-fiscais também identificaram que a mesma mulher trabalhou numa clínica de um dos membros da família sem qualquer registo formal de emprego.

No estado de Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a escravidão numa fazenda, na colheita de batata, sendo a maioria senegaleses e do Burkina Faso.

Os auditores-fiscais identificaram que as vítimas trabalhavam na colheita manual de batatas sem registo formal de trabalho, sem acesso a instalações sanitárias, água potável, equipamentos de proteção individual e local adequado para refeições.

“Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos trabalhadores e às condições gerais de saúde e segurança do trabalho”, cita o comunicado, sem adiantar detalhes sobre a situação dos guineenses.

O meio rural concentrou 57,5% das fiscalizações e 292 trabalhadores resgatados, enquanto as atividades urbanas representaram 36,5% das ações, com 178 resgates, e o trabalho doméstico teve nove trabalhadores resgatados.

Entre as atividades com mais trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão estão a construção em geral, com 85 resgatados, o cultivo de café, com 53, de cebola, com 47, e de batata, com 44.

Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos e regularizar retroativamente os vínculos, além de pagar mais de 1,4 milhões de reais (cerca de 236,1 mil euros) em verbas salariais e rescisórias.

Segundo o Governo brasileiro, os trabalhadores receberam ainda o seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo.

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