Anunciada na Guiné-Bissau criação do Partido Popular Guineense (PPG) sem indicar o líder

Lisboa, 09 set 2026 (Lusa) – O cenário político guineense conta com uma nova força partidária, o Partido Popular Guineense (PPG), cuja criação foi formalmente anunciada hoje, em Bissau, através de um comunicado, sem indicar quem é o líder do partido.

Tornado público nos órgãos de comunicação social locais, o documento está assinado pelo secretariado ‘ad hoc’ sem indicar quem lidera o partido.

Posicionando-se no espaço político como uma formação de matriz social-liberal, o PPG fundamenta a sua génese numa “análise crítica” da atual conjuntura política, económica, social e institucional da Guiné-Bissau.

Os promotores da iniciativa sustentam que o país “dispõe de recursos materiais e humanos suficientes para encetar um ciclo inédito de progresso”, condicionado, contudo, à consolidação da estabilidade governativa, ao fortalecimento institucional, à adoção de uma visão estratégica a longo prazo e ao rigor na gestão da coisa pública.

O manifesto inaugural do PPG elenca nos eixos programáticos fundamentais para a sua atuação futura, a implementação de mecanismos eficazes de prestação de contas e combate à opacidade administrativa, defesa da independência e do prestígio das instituições do Estado de Direito, estímulo ao crescimento estrutural focado na geração de postos de trabalho.

O PPG terá igualmente como foco estratégico a valorização e capacitação da juventude e das mulheres, a requalificação e acesso universal a padrões de qualidade na Educação, na Saúde e nas Infraestruturas básicas.

Rejeitando práticas de intolerância e apostando no diálogo institucional, no respeito pelo pluralismo e na salvaguarda da unidade nacional, a nova força política adota o lema “Unidade – Trabalho – Transformação”.

O secretariado Ad Hoc adiantou que os estatutos definitivos, o programa político detalhado e as propostas setoriais do PPG serão anunciados ao público nos próximos dias.

Nos últimos dias, dirigentes de várias formações políticas têm apresentado renúncias aos seus partidos, alegadamente para se juntarem ao PPG.

O bastonário da Ordem dos Jornalistas guineenses, António Nhaga, defende que a proliferação de formações políticas “sem matrizes clássicas” e a crescente instrumentalização do jornalismo estão a comprometer a estabilidade institucional e democrática na Guiné-Bissau.

A posição de António Nhaga, publicada numa entrevista à rádio Capital FM, consultada pela Lusa nas redes sociais, ocorreu no âmbito de uma análise à situação política guineense, com base nas indicações de que estava em curso a criação do PPG, que tem sido atribuído ao atual primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té.

Para o também analista guineense, Diamantino Lopes, o “clima de incerteza” alastra-se à própria base da militância partidária que só o tempo dirá qual a sua consequência para o próprio país, sustentou.

“A verdadeira dimensão e as consequências destas movimentações permanecem em aberto, cabendo ao fator tempo desvendar se representam uma mudança estrutural ou um mero reposicionamento de conveniência das elites”, sublinha Diamantino Lopes, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) da Guiné-Bissau.

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

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