Netanyahu declara “controlo absoluto como nunca” em vastas áreas da região

Jerusalém, Israel, 09 set 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou hoje as tropas israelitas no sul da Síria, onde declarou um “controlo absoluto como nunca” em vastas regiões no Médio Oriente e reafirmou a previsão de colapso iminente do regime iraniano.

“Estamos no cume do Monte Hermon. Damasco está já aqui, o Líbano está já ali, os Montes Golã sírios estão já ali, e controlamos toda a área desde o topo do Hermon até ao rio Yarmouk, e daí até ao mar Mediterrâneo: controlo absoluto como nunca antes”, declarou o líder israelita numa mensagem divulgada pelo seu gabinete a partir do território ocupado da Síria.

Acompanhado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, o chefe do Governo israelita frisou que não permitirá que “nenhum exército terrorista estabeleça posição” junto da fronteira com o seu país.

“Esta é uma das enormes conquistas que alcançámos na Guerra da Redenção”, observou, referindo-se à designação assumida pelas autoridades de Telavive da ampla operação militar na Faixa de Gaza, em resposta aos ataques de 07 de outubro de 2023, liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas, no sul de Israel.

O primeiro-ministro israelita advertiu que “ainda há trabalho a fazer” e que a principal é “derrubar o regime terrorista” no Irão.

“Estamos muito perto disso. Sabemos que todo este eixo [grupos aliados da República Islâmica] acabará por ruir”, afirmou Netanyahu, voltando a uma ideia já expressada na semana passada, numa rara visita às tropas israelitas destacadas na Faixa de Gaza.

Netanyahu defendeu nessa ocasião que a liderança iraniana “está a lutar pela sua sobrevivência”, em pleno reatamento das confrontações militares entre Estados Unidos e a República Islâmica e após o anúncio de uma operação de “guerra económica” da administração norte-americana para isolar Teerão.

Israel lançou uma campanha conjunta de ataques aéreos com os Estados Unidos contra o Irão em 28 de fevereiro, desencadeando um conflito que se propagou a vários países do Golfo e reacendeu os confrontos entre o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerão, e as forças israelitas, que expandiram as posições que já ocupavam no sul do Líbano.

Apesar de Israel não se ter envolvido diretamente nas últimas operações militares contra o Irão, Netanyahu tem avisado repetidamente que usará a força se o seu país for visado pelos militares iranianos.

Israel mantém também posições militares no sul da Síria, junto dos Montes Golã ocupados, desde a queda do regime do antigo Presidente sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, alegando que pretendia criar uma “zona de segurança”.

As novas autoridades de Damasco que emergiram dos anteriores grupos rebeldes têm transmitido o desejo de dialogar com Israel, que, no entanto, continua a executar operações militares no país vizinho, incluindo um bombardeamento de uma base aérea síria, no mês passado, a pretexto da alegada presença de uma delegação turca.

Antes de Netanyahu, o ministro da Defesa israelita já tinha visitado as suas tropas no sul da Síria, gerando protestos das autoridades sírias, que se referiram a uma “violação flagrante da soberania do país”.

“Estamos aqui para enviar uma mensagem muito forte ao Presidente da Síria, que está a 35 quilómetros de distância, no seu palácio em Damasco: estamos aqui no Monte Hermon, estamos na zona de segurança e não sairemos daqui”, disse hoje Israel Katz, repetindo a mensagem que já tinha deixado em 25 de agosto na sua anterior visita ao sul da Síria, onde também já tinha estado o comandante das forças armadas, Eyal Zamir.

Israel realiza eleições legislativas em 27 de outubro, nas quais Netanyahu disputa a continuidade do seu governo de coligação com a extrema-direita, num momento em que o país se envolveu em várias frentes de conflito no Médio Oriente.

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