Aquecimento global reduz vida útil de infraestruturas em até 25 anos – estudo

Valência, Espanha, 09 set 2026 (Lusa) — Um estudo internacional estima que o aquecimento global pode provocar a deterioração térmica prematura das infraestruturas e reduzir a sua vida útil em até 25 anos, caso se mantenha o atual aumento das temperaturas.

Realizado por investigadores da Universidade Politécnica de Valência (UPV), em Espanha, e do Instituto de Ciência e Engenharia de Hunan, na China, o estudo “apresenta um novo modelo que avalia o efeito das temperaturas extremas na durabilidade das infraestruturas e o impacto desta deterioração nas emissões de carbono”, noticiou hoje a agência noticiosa espanhola EFE com base num comunicado da UPV.

As projeções feitas com recurso aquele modelo indicam que o aquecimento global pode reduzir a vida útil das infraestruturas em todo o mundo “entre 18,52 e 25,15 anos até 2100”.

O trabalho representa uma investigação aprofundada sobre o impacto do aquecimento global em infraestruturas críticas, particularmente as pontes estaiadas (sustentadas por cabos de aço ligados diretamente a torres ou mastros) em betão, revelando uma dupla pressão.

“O aquecimento acelera a degradação estrutural e, simultaneamente, amplifica as emissões de carbono incorporadas devido à necessidade de demolições prematuras e reparações não planeadas”, afirma Víctor Yepes, da UPV, um dos quatro autores do estudo, juntamente com Zhiwu Zhou, Faxing Ding e Julián Alcalá.

A equipa de investigação concluiu que, devido ao aquecimento registado durante o último século, “8,67% das pontes estaiadas em todo o mundo entraram numa fase de demolição prematura durante a sua vida útil, gerando emissões de carbono excedentes de mais de 100.000 toneladas — o equivalente a 2,7 vezes a produção de carbono projetada durante a fase de conceção original”, segundo a EFE.

Para desenvolver e validar o modelo, a equipa analisou quatro pontes localizadas na China e sujeitas a condições climáticas e altitudes muito diferentes: a Ponte Nan’ao em Shantou, província de Guangdong; a Ponte do Rio Meixi perto de Fengjie, município de Chongqing; a Ponte Wuhekou em Huai’an, província de Jiangsu; e a Ponte Xiaoxihu sobre o Rio Amarelo em Lanzhou, na província de Gansu.

“Os casos variam desde climas subtropicais de monção a climas continentais temperados, permitindo-nos observar como os gradientes térmicos afetam de forma desigual a durabilidade estrutural”, explica Julián Alcalá, da UPV, também citado no comunicado.

Alertando para o perigo, especialmente nas regiões de clima temperado marítimo e continental, identificadas como áreas de elevada vulnerabilidade, os investigadores defendem que o ‘design’, manutenção e reforço das infraestruturas tenha em conta cenários climáticos futuros, “para ajudar a antecipar os danos e reduzir os custos e emissões resultantes de intervenções prematuras”.

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