
Maputo, 09 set 2026 (Lusa) — Uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou hoje uma nova visita de trabalho a Moçambique, para negociações técnicas sobre um eventual programa de apoio financeiro ao paÃs, confirmou o Ministério das Finanças.
Segundo um comunicado do Ministério das Finanças, a missão vai decorrer até 18 de setembro, em Maputo, “no âmbito das discussões técnicas com vista à negociação de um potencial Programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada”, ou ECF (Extended Credit Facility, na sigla em inglês), mecanismo de financiamento concessional do FMI destinado a paÃses de baixo rendimento.
A delegação do FMI é chefiada por Pablo López Murphy e deverá manter encontros com diferentes ministérios, o Banco de Moçambique, representantes do setor privado e instituições financeiras.
Segundo o ministério, a visita visa realizar “uma revisão aprofundada do desempenho macroeconómico recente, do estado de implementação das reformas em curso, bem como das perspetivas futuras de cooperação técnica e financeira”.
O Governo considera que a cooperação com o FMI é de “capital importância” para a melhoria da gestão macrofiscal do paÃs e para a mobilização de novos recursos externos destinados ao desenvolvimento.
Esta missão surge cerca de três meses depois de o FMI ter confirmado a realização de discussões iniciais com as autoridades moçambicanas sobre um pedido formal de apoio financeiro.
No final dessa visita, em junho, López Murphy, que também liderou essa missão, afirmou que a equipa discutiu com o Governo “o seu pedido de um programa apoiado pelo Fundo” e que regressaria a Maputo “nos próximos meses” para aprofundar o pedido e os planos de polÃtica económica das autoridades.
Na altura, o responsável explicou que as conversações tinham incidido sobre medidas destinadas a restaurar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade da dÃvida pública, incluindo o reforço da posição fiscal, a proteção dos grupos mais vulneráveis, o fortalecimento da polÃtica monetária e cambial, a preservação da estabilidade financeira e a melhoria da governação.
O FMI considerou então que Moçambique enfrentava uma conjuntura económica desafiante, marcada por crescimento moderado, inflação em aceleração, vulnerabilidades fiscais e da dÃvida, além de limitações no acesso a divisas. A instituição alertou ainda para riscos associados ao aumento dos preços internacionais dos combustÃveis e fertilizantes, bem como aos impactos de choques climáticos recentes sobre a economia nacional.
Antes dessa missão, o Governo já tinha indicado que pretendia discutir com o FMI um eventual Programa de Facilidade de Crédito, enquadrado num conjunto de medidas para reduzir desequilÃbrios macroeconómicos e reforçar a consolidação fiscal.
Em março deste ano, Moçambique liquidou antecipadamente uma dÃvida de 698,6 milhões de dólares junto do FMI, correspondente a financiamentos contraÃdos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT), operação que o Governo apresentou como um sinal de gestão prudente das contas públicas e de restauração da confiança dos mercados.
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