Ex-guerrilheiros da moçambicana Renamo dizem que Conselho é manobra dilatória

Maputo, 09 set 2026 (Lusa) – Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que contestam a liderança de Ossufo Momade voltaram hoje a prometer ações para resgatar o partido, alertando que a convocação do Conselho Nacional é uma estratégia do atual líder para não sair.

“Gostaríamos de reafirmar, diante dos microfones da comunicação social e ao povo moçambicano, que tudo faremos para resgatar a nossa Renamo das amarras do regime Ossufista e devolver aos membros do partido e a população em geral, e com olhos postos aos próximos pleitos eleitorais que se avizinham”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros, João Machava.

Em conferência de imprensa, em Maputo, para anunciar a chamada segunda reunião de coordenação que reúne a autoproclamada comissão nacional de gestão do partido, nos dias 12 e 13 deste mês, o representante dos guerrilheiros considerou que a convocação do Conselho Nacional da Renamo é mais uma estratégia de ossufo Momade para não abandonar a liderança.

“Nós estamos atentos com as manobras da direção do partido e não ficaremos de braços cruzados. A reunião que estamos a convocar irá tomar medidas consentâneas e proporcionais à situação”, prometeu João Machava.

O grupo acusou a atual direção do partido de desonestidade e de agir como “mafiosos” por não quererem avançar com conversas entre as partes para se alcançar um consenso.

“São pessoas aliadas ao presidente do partido, Ossufo Momade (…). Ele manda a sua equipa que (…) quer ditar regras e, se for assim, vamos ao Conselho Nacional divididos e vamos sair de lá mais divididos”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros.

“As manobras dilatórias são como o que aconteceu no ano passado, porque se tinha convocado o Conselho Nacional para Vilanculos [província de Inhambane] para o mês de março, que se arrastou até outubro. Pode ter convocado o Conselho Nacional para o ‘boi dormir’, são essas manobras e sabemos que Ossufo pode e é capaz de fazer isso”, acrescentou, defendendo a realização de um congresso extraordinário para o atual líder abandonar a liderança, garantindo que “ele vai sair”.

Em 28 de agosto, a Renamo anunciou a realização do Conselho Nacional em 21 e 22 de outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja direção de Ossufo Momade é fortemente contestada.

A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos críticos internos de Ossufo Momade, como o histórico e ex-deputado António Muchanga, que defende publicamente a saída do líder. Também por antigos guerrilheiros, que exigem a sua saída da liderança da Renamo, ocupando as sedes em protesto.

Esse Conselho Nacional chegou a estar convocado para março. Contudo, não se realizou, tendo sido promovida em alternativa uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, província de Manica, em 27 e 28 de março.

Nessa altura, a Renamo anunciou a realização, nesse semestre — que não aconteceu -, do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, líder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda este ano.

Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.

Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.

Em 2018 Momade sucedeu na presidência do partido a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano.

Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, partido que também perdeu nessas eleições o estatuto de líder da oposição.

PME (PVJ) // JMC

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