
Lisboa, 08 set 2026 (Lusa) – A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou hoje uma moção do BE para exigir respostas da Câmara quanto à tragédia do elevador da Glória, com votos contra de PSD/CDS-PP/IL, e beneficiando da distração do Chega que queria votar contra.
“Nós temos uma alteração de sentido de voto […]. Pedimos desculpa pela nossa própria distração quando foi a parte das votações”, avisou a deputada do Chega Margarida Bentes Penedo, dirigindo-se ao presidente da AML, André Moz Caldas (PS), a quem comunicou que o Chega “queria votar contra” a moção do BE sobre o acidente do elevador da Glória.
Juntando o Chega aos votos contra de PSD/CDS-PP/IL, a moção do BE seria rejeitada, no entanto, depois de proclamado o resultado de uma votação, o mesmo não é alterado, procedimento que já acontece há vários mandatos na AML, podendo os partidos juntarem uma declaração de voto a clarificarem o sentido de voto.
No atual mandato 2025-2029, a AML é composta por uma maioria de direita, com 38 deputados de PSD/CDS-PP/IL e Chega, contra 37 eleitos de partidos de esquerda, nomeadamente de PS, Livre, BE, PAN, PCP e PEV.
A moção do BE exige respostas da Câmara Municipal de Lisboa (CML), governada por PSD/CDS-PP/IL, quanto ao descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu há um ano, em 03 de setembro de 2025, e que provocou 16 vÃtimas mortais e 24 feridos, de 15 nacionalidades, sendo considerado o mais grave acidente ocorrido na história recente da cidade de Lisboa.
Apresentada pelo deputado do BE Rodrigo Machado, a moção pretende que a CML cumpra a concretização de um mecanismo municipal de apoio à s vÃtimas e à s famÃlias, complementar à atuação das seguradoras, bem como o acompanhamento jurÃdico, social e psicológico permanente, incluindo à s vÃtimas e famÃlias residentes no estrangeiro.
Outros dos pontos da proposta são para o esclarecimento do ponto de situação dos processos indemnizatórios, a publicação integral das auditorias concluÃdas e dos respetivos termos de referência e “uma auditoria especÃfica aos contratos de manutenção celebrados com a MNTC”, incluindo a análise do preço “anormalmente baixo, cerca de 46% inferior ao preço-base definido no procedimento”.
Justificando o voto contra da IL, Pedro Bugarin considerou que qualquer iniciativa da AML sobre a tragédia do elevador da Glória “é extemporânea” enquanto não é conhecido o relatório final de quem investiga o acidente, o que se prevê até ao final do primeiro trimestre de 2027.
Já o lÃder da bancada do PS, Hugo Gaspar, criticou a falta de intervenção da AML quanto ao acidente, lembrando que este órgão municipal tem como competência fiscalizar a ação da CML, e realçando que, no entanto, tudo o que os deputados municipais sabem sobre a tragédia do elevador da Glória é pela comunicação social.
O socialista voltou a insistir na proposta do PS para a criação de uma comissão de acompanhamento na AML sobre o acidente, apesar de a mesma iniciativa ter sido rejeitada há meses, com os votos contra de PSD/CDS-PP/IL.
“Recusar este instrumento de fiscalização é a única coisa difÃcil de explicar à cidade. É preciso dizer o que se está a passar nas forças polÃticas de direita desta Assembleia: há quem esteja, pelo próprio voto de veto, a passar a si mesmo um atestado de incapacidade”, declarou Hugo Gaspar, acusando a governação PSD/CDS-PP/IL de “uma preocupação obsessiva em erguer um muro à volta do acidente”, e destacando ainda “a hipocrisia” do Chega, que em setembro de 2025 pediu a demissão do presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), através de uma moção de censura, mas, poucos meses depois, após as eleições autárquicas de outubro, “alinhou com a cortina de fumo para que o elevador da Glória não seja discutido”.
Também o deputado João Monteiro, do Livre, criticou “o silêncio” da CML em dar respostas sobre o acidente.
A AML viabilizou também uma moção do PCP pelo cumprimento de prazos céleres na construção do Aeroporto LuÃs de Camões e desativação do Aeroporto Humberto Delgado, com os votos contra de IL, CDS-PP e Chega, tendo posteriormente o PSD expressado que o seu sentido de voto era contra.
Nesta reunião, a AML aprovou ainda recomendações do PEV pelo reforço das hortas urbanas e a valorização de projetos comunitários promotores de sustentabilidade na cidade e pela concretização do Monumento ao Bombeiro em Lisboa, do PCP para pôr fim à degradação da passagem pedonal subterrânea de Alcântara-Mar, do Chega para dignificar a mobilidade no Vale de Alcântara e do PS pela defesa da rede Gira de bicicletas públicas partilhadas.
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