Tribunal da Finlândia acusa capitão de cargueiro russo de danificar cabo submarino

Helsínquia, 08 ago 2026 (Lusa) – Um tribunal de Helsínquia começou hoje a julgar o capitão de um navio da marinha mercante e um membro da tripulação por alegadamente terem danificado dois cabos de telecomunicações entre Finlândia e Estónia.

O capitão de origem russa e o elemento da tripulação, natural do Azerbaijão, respondem a acusações de dano qualificado e obstrução qualificada às telecomunicações ao terem deixado a âncora do navio ser arrastada, percorrendo 130 quilómetros pelo fundo do mar no golfo da Finlândia, danificando dois cabos e tentando danificar outros oito.

O cargueiro “Fitburg”, registado em São Vicente e Granadinas e que zarpou da Rússia com destino a Israel, foi intercetado pela Guarda Costeira da Finlândia a 31 de dezembro de 2025.

O Ministério Público finlandês pediu penas de prisão de, pelo menos, dois anos e seis meses aos dois suspeitos.

Segundo o procurador, o incidente, ocorrido na zona económica exclusiva da Estónia, causou “danos imediatos” e representou “um risco grave para o funcionamento das redes de telecomunicações, eletricidade e gás na Finlândia”.

Os acusados, que negaram os factos, alegaram que a Finlândia não tem competência para julgar o caso, uma vez que os cabos teriam sido danificados fora das águas territoriais finlandesas.

Um representante da embaixada russa esteve presente no tribunal para acompanhar o julgamento, noticiou a emissora pública finlandesa Yle.

Em 2025, três tripulantes do navio-tanque “Eagle S”, com pavilhão das Ilhas Cook, foram julgados por factos semelhantes após terem danificado cinco cabos submarinos no golfo da Finlândia, em 25 de dezembro de 2024.

O Tribunal Distrital de Helsínquia entendeu que cabia ao Estado onde o navio estava registado ou aos países de origem dos arguidos decidirem sobre o caso.

No entanto, os procuradores finlandeses recorreram da decisão, alegando que a Finlândia detinha jurisdição devido às consequências do incidente para o país.

As tensões no mar Báltico intensificaram-se desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.

 

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