
São Filipe, Cabo Verde, 07 set 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro cabo-verdiano considerou hoje o acidente de viação no Fogo, que provocou 25 mortos, a “maior tragédia” registada no paÃs desde a independência e anunciou a criação de uma equipa multidisciplinar de resposta a emergências.
“Estamos a falar da maior tragédia que nós já tivemos em Cabo Verde pós-independência”, afirmou Francisco Carvalho, durante uma conferência de imprensa na ilha do Fogo, após visitar o local do acidente e as famÃlias das vÃtimas.
O primeiro-ministro anunciou que o Ministério das Infraestruturas, responsável pela gestão das estradas do paÃs, estará na ilha a partir de terça-feira para aprofundar a análise à s condições da via e à s circunstâncias do acidente.
“Queremos que venham os técnicos especialistas dessas áreas para, só depois, com segurança, nós apresentarmos aquilo que for a conclusão de análise dos técnicos e dos especialistas dessas diferentes áreas, tanto ao nÃvel da circulação automóvel como das estradas”, afirmou.
Segundo Francisco Carvalho, o gabinete de crise criado na sequência do acidente continuará a funcionar para analisar o sucedido e produzir recomendações e medidas para o futuro.
O Governo anunciou também a criação de uma equipa multidisciplinar, com técnicos de diferentes entidades e valências, que ficará de prontidão para ser acionada em emergências.
“Uma equipa que seja constituÃda e esteja de prontidão para que, em casos de necessidade, seja acionada e não se tenha de desenvolver contactos ali à pressa”, explicou.
O chefe do Governo adiantou ainda que o executivo vai avançar com a aquisição de equipamentos para reforçar a Proteção Civil, incluindo ambulâncias, meios para bombeiros e outros equipamentos, além de formação e capacitação.
Na resposta imediata ao acidente, o Governo mobilizou para o Fogo uma equipa médica especializada e técnicos de apoio social e psicológico, tendo visitado as famÃlias afetadas e elaborado um plano de apoio.
Francisco Carvalho garantiu que o acompanhamento à s famÃlias vai continuar, em articulação com as câmaras municipais de São Filipe, Santa Catarina e Mosteiros.
“Estamos neste momento a prestar esse apoio”, afirmou, acrescentando que o Governo e as autarquias vão continuar a acompanhar as famÃlias e a definir apoios complementares.
O primeiro-ministro confirmou ainda que o Governo autorizou, hoje, o apoio à s deslocações dos familiares de primeiro grau das vÃtimas que pretendam viajar para o Fogo.
“Os pedidos que chegaram ao Governo foram autorizados e vamos continuar nesta linha, vamos continuar a ouvir as famÃlias e continuar a autorizar”, afirmou.
O Governo admite ainda alargar esse apoio a familiares que não sejam de primeiro grau, através de exceções.
O acidente ocorreu no sábado, quando um autocarro que transportava 39 pessoas, entre alunos e outros passageiros, saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no municÃpio de Santa Catarina do Fogo.
Vinte e cinco pessoas morreram e 14 ficaram feridas e 13 encontram-se ainda internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis, quatro das quais em situação clÃnica mais grave.
O Governo cabo-verdiano decretou dois dias de luto nacional na sequência da tragédia.
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*** Rosana Semedo (texto) e Elton Monteiro (vÃdeo), da agência Lusa ***
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