
Loures, Lisboa, 05 set 2026 (Lusa) — O presidente do Chega disse hoje que o expectável chumbo da moção de censura ao Governo de PSD/CDS-PP, apresentada em contestação à manutenção do ministro da Administração Interna, resulta de “uma espécie de esquizofrenia de coragem” na polÃtica portuguesa.
“Se o Chega está no centro das atenções é porque os outros [partidos] não tiveram nem coragem nem a capacidade de perceber que este era um assunto que não tinha que ver com discussão meramente polÃtica, não tinha que ver com discordar do ministro A ou do ministro B, tinha a ver com isto: decência. Onde não há decência, não há democracia. Onde não há decência, não há liberdade”, afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas à entrada de uma iniciativa de ‘rentrée’ da distrital de Lisboa do partido Chega, que ocorreu no concelho de Loures.
A moção de censura do Chega ao Governo de PSD/CDS-PP, motivada pela continuidade em funções do ministro da Administração Interna, LuÃs Neves, devido à s polémicas que envolvem o seu nome enquanto foi diretor da PolÃcia Judiciária, vai ser discutida pelo parlamento na próxima terça-feira, prevendo-se que seja inviabilizada.
Questionado sobre a posição dos restantes partidos da oposição de inviabilizarem a moção de censura, apesar de criticarem a permanência do ministro LuÃs Neves no Governo, o presidente do Chega declarou: “Há nisto da polÃtica portuguesa uma espécie de esquizofrenia de coragem, que é: todos, quando veem que o Chega tem razão, ‘vamos lá atrás dele’, que é para não perder a opinião pública. Mas como é que votam agora? Contra.”
Sobre a consequência de fazer cair o Governo, caso a moção de censura fosse aprovada, André Ventura afastou essa intenção, explicando que não há outro instrumento que o parlamento disponha para afastar um ministro de funções.
“Em Portugal não há nenhum instrumento, ao contrário de Espanha, por exemplo, que permita destituir ministros através do parlamento. Espanha, por exemplo, tem moções de censura setoriais aos ministros. Portugal não tem. Todos, todos não, quase todos estamos de acordo que o que se passa com o ministro LuÃs Neves é uma captura das instituições do Estado”, afirmou o lÃder do Chega.
Por isso, André Ventura questionou o que é diferente entre o caso do ministro LuÃs Neves e o da empresa imobiliária Spinumviva ligada à famÃlia do primeiro-ministro, LuÃs Montenegro (PSD), que também motivou a apresentação de moções de censura ao Governo, uma do Chega e outra do PCP, ambas rejeitadas, mas que levou à apresentação de uma moção de confiança ao Governo, que foi chumbada em março de 2025, levando à queda do executivo de PSD/CDS-PP, que depois acabou por ser reeleito.
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