
Porto, 05 set 2026 (Lusa) – Os portuenses valorizam mais ter ligação direta ao destino que o fator preço como motivo para aderir ao transporte público, segundo o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, que demonstra que o custo é mais valorizado pelos residentes na periferia.
“Os resultados desta análise comprovam que a existência de uma ligação direta ao destino surge como principal motivo (28%) para uma possível transferência modal para o transporte público. O preço surge como segunda razão (20%)”, pode ler-se no diagnóstico do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Porto, consultado hoje pela Lusa.
A ida do documento a consulta pública vai ser votada na reunião pública da Câmara do Porto de terça-feira, numa altura em que mais de 100.000 residentes no Porto já aderiram ao passe gratuito, uma medida do executivo de Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) implementada em 10 de julho e não abordada nesta secção do PMUS, cujo diagnóstico foi feito com base em 4.739 inquéritos realizados entre outubro e dezembro de 2024.
De acordo com o PMUS, “a rapidez surge em terceiro lugar (19%) e a frequência em quarto (17%)”, e “a dificuldade de estacionamento no destino (13%) e o congestionamento (11%) surgem de seguida na lista de principais razões”, sendo “um reflexo do impacto negativo que o congestionamento automóvel induz na redução da competitividade do transporte público”.
“Preocupações ambientais surgem igualmente na lista dos motivos mais relevantes, representando cerca de 11% das respostas” dos residentes no Porto ao inquérito, em que 3% afirmam que “nenhuma razão os faria mudar para o transporte público, revelando um claro caso de mentalidade pro-automóvel”.
O inquérito do PMUS abrangeu também não residentes que se deslocam para o Porto, sendo que estes, maioritariamente habitantes da periferia, valorizam mais que os portuenses o fator preço como motivo para aderir ao transporte público, e numa percentagem maior.
Além do fator preço/custo ser o mais valorizado para os não residentes, e não o segundo como no caso dos portuenses, é apontado por 36,9% dos inquiridos, uma percentagem acima da dos residentes do Porto (20,2%).
“No caso dos não residentes o custo surge como o principal motivo (37%), seguido da existência de uma ligação direta (19%) e da dificuldade de estacionamento no destino (17%)”, seguindo-se “a maior frequência e a rapidez, ambas com 13%”, estando motivos como o congestionamento (5%) “ligeiramente abaixo de razões como as preocupações ambientais (6%)”.
O diagnóstico do PMUS conclui, assim, “que quer para residentes quer para não residentes, o transporte público caracteriza-se, na generalidade, por baixos níveis de fiabilidade e de regularidade, condicionando a sua potencial adoção por uma parcela maior da população”.
Na sexta-feira, Pedro Duarte, disse que as mais de 100.000 adesões aos transportes gratuitos enchem o executivo “de orgulho, mas também de responsabilidade, porque agora os transportes públicos têm de responder àquilo que, de facto, é um sinal que a cidade foi dando”.
O autarca, que também lidera a Área Metropolitana do Porto (AMP), disse compreender que “do ponto de vista político, não é muitas vezes simpático” ou “fácil de gerir” pelos seus colegas o facto do Porto dar transportes gratuitos aos residentes, vaticinando que “um dia virá a acontecer […] toda a área metropolitana aderir a uma medida desta natureza”.
Pedro Duarte insistiu no “efeito social muito importante da medida, porque ajuda muito as famílias”, mas falou também num “efeito na mudança de paradigma de mobilidade, que é muito importante”, que se irá sentir “provavelmente a médio e longo prazo”
“Não estou à espera que haja uma grande transferência modal no curto prazo. É bom que coloquemos as expectativas no lugar certo. Mas eu acho que nós, dentro de quatro, cinco, seis anos, vamos olhar para trás e vamos perceber que a relação dos cidadãos com o transporte público mudou”, antecipou.
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