Embaixador dos EUA em Israel defende “consequências severas” face à violência na Cisjordânia

Turmus Ayya, 05 set 2026 (Lusa) – O embaixador norte-americano em Israel apelou hoje a “consequências severas” para pôr fim à violência na Cisjordânia ocupada e garantiu não existir qualquer “plano” para expulsar palestinianos da Faixa de Gaza.

“A nossa mensagem é clara: um crime é um crime, um ato de terrorismo é um ato de terrorismo. Quem os comete deve contar com consequências severas”, declarou Mike Huckabee aos jornalistas durante uma visita a Turmus Ayya, uma localidade da Cisjordânia, por ocasião de um encontro com cidadãos palestiniano-americanos ali residentes e que têm sido alvo de ataques por parte de colonos.

Ainda assim, o embaixador recusou-se a criticar Israel.

Na sequência de um recrudescimento dos ataques por parte de colonos, o embaixador norte-americano afirmou que o Governo israelita tem a responsabilidade de garantir a segurança dos palestinianos na Cisjordânia ocupada.

“Uma das mensagens que transmitimos e que continuaremos a transmitir é que os habitantes destas comunidades têm o direito de viver em segurança e que o governo tem a responsabilidade de garantir que assim seja”, afirmou Huckabee.

O diplomata garantiu ainda que não existe “nenhum plano” para expulsar palestinianos da Faixa de Gaza, depois de alguns ministros israelitas terem apelado a que se esvaziasse o território dos seus dois milhões de habitantes e os transferisse para o estrangeiro.

“Posso afirmar categoricamente que não existe qualquer plano israelita para expulsar a população de Gaza contra a sua vontade”, declarou Mike Huckabee aos jornalistas.

Desde 2023, os palestinianos na Cisjordânia enfrentam um aumento substancial das restrições de movimentos, a par de casos que se tornaram quase diários de violência protagonizados por colonos extremistas e de operações militares frequentes do exército.

Segundo a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), entre outubro de 2023 e 24 de julho de 2026, 1.122 palestinianos, dos quais pelo menos 246 eram crianças, foram mortos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estima que 79 palestinianos foram mortos pelas forças israelitas e colonos na Cisjordânia este ano, enquanto quase 1.850 foram feridos.

A tendência tem vindo a aumentar desde os ataques de 07 de outubro de 2023 contra Israel, liderados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestiniano, a que Israel respondeu invadindo a Faixa de Gaza.

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