
Vila Nova de Gaia, Porto, 04 set 2026 (Lusa) — O ex-presidente da Câmara de Gaia Eduardo Vítor Rodrigues disse hoje que, após 10 anos, ficou clarificado que nunca levou familiares ou amigos a ver jogos do FC Porto fora do país a expensas do município.
“Dez anos depois, e dezenas e dezenas de notícias que me tentaram imputar o crime de fazer viagens com familiares e amigos para ver o FC Porto, fica clarificado que tudo isso foi uma falsidade decorrente de um clima de perseguição e de denúncias anónimas que ocorreu em Gaia não apenas neste caso, mas noutros”, afirmou o antigo autarca aos jornalistas, à saída do Tribunal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, depois de ter sido absolvido dos crimes de prevaricação e peculato.
Eduardo Vítor Rodrigues, que liderou o município pelo PS de 2013 a 2025, foi hoje absolvido dos crimes de prevaricação e peculato de que estava acusado por, alegadamente, ter usado dinheiro do município para comprar bilhetes para assistir a jogos de futebol.
Questionado sobre se estava satisfeito com a absolvição, o ex-autarca vincou que “não pode estar satisfeito” por, durante 10 anos, ter recaído sobre si a dúvida de um comportamento que, agora, se veio a provar que era “absolutamente legal e ético”.
“Esta decisão não é uma decisão justa porque justo era nunca ter passado por isto e nunca ter sido exposto a tudo isto”, frisou.
O socialista indicou que as pessoas que acompanharam as comitivas que foram aos jogos do FC Porto eram pessoas com funções institucionais em Vila Nova de Gaia e que participaram, nestas, numa lógica de representação institucional do município.
Reafirmando que nunca levou familiares ou amigos aonde quer que fosse à custa da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vitor Rodrigues destacou que essa ideia foi “inventada e criada por denúncias anónimas e um clima de ódio e de perseguição”.
Em sua opinião, a justiça demora tempo a mais, tempo esse em que foi “crucificado eternamente” quando agia de boa-fé na atividade política.
“O Ministério Público é o garante da legalidade, mas às vezes parece que é uma espécie de agente hostil e com ódio aos políticos. Nem os políticos merecem isso, nem é bom para o Ministério Público que isso aconteça porque, depois, demonstra-se a verdade, embora nunca mais as marcas saíam do corpo daqueles que, como eu, se sintam uma vítima”, atirou.
O antigo presidente da câmara sublinhou que “não há conhecimento em Portugal” de um autarca que, nos últimos oito anos, tenha tido “tal nível de perseguição e de denúncias anónimas” como teve.
O objetivo, acrescentou, era derrubá-lo por estar a fazer “um grande trabalho em Vila Nova de Gaia e na Área Metropolitana do Porto” e por estar a pôr em causa alguns interesses instalados, desde o domínio dos transportes ao domínio dos investimentos e do quadro comunitário.
“E, portanto, isso paga-se e eu paguei”, considerou.
O ex-autarca, que liderou o município durante 12 anos, renunciou ao cargo em junho de 2025, depois ter sido condenado à perda de mandato por usar, de forma pessoal, um veículo elétrico do município.
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