
Toronto, Canadá, 01 set 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, endureceu hoje o discurso contra os Estados Unidos, considerando inapropriados os ataques de altos responsáveis norte-americanos ao Canadá e advertindo que não retomará negociações comerciais enquanto se mantiver a atitude provocatória.
“Está abaixo da dignidade dos seus cargos”, declarou Carney ao ser questionado sobre os insultos dirigidos por membros do Governo norte-americano à s Forças Armadas canadianas.
O chefe do executivo do Canadá criticou também outras ações recentes de Washington, entre as quais as piadas sobre os cadetes canadianos e a mudança do nome do lago Ontario para “lago América” pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
“Quando os norte-americanos deixarem de fazer ‘memes’, de lançar farpas e de tentar parecer duros e começarem a levar a sério estas conversações [comerciais], poderemos realizá-las. Isto não é construtivo. Mas é a democracia deles”, afirmou.
Insistiu que o Canadá está disposto a alcançar um acordo comercial “mutuamente benéfico” com os Estados Unidos, mas sublinhou que qualquer pacto terá de respeitar a soberania canadiana e o direito do paÃs a proteger a cultura do Quebeque e a lÃngua francesa.
O lÃder liberal sustentou que, durante as negociações, Washington apresentou condições que poderiam limitar a capacidade de Otava para assinar acordos comerciais com paÃses terceiros.
“O Canadá é um Estado soberano. Assinaremos acordos de livre comércio com os paÃses com os quais queiramos assiná-los”, sentenciou.
Carney denunciou igualmente que as propostas norte-americanas pretendiam converter setores industriais estratégicos canadianos em “filiais” dos seus equivalentes norte-americanos ou impor condições que causariam o seu gradual desaparecimento.
“Não vamos aceitar essas condições”, assegurou.
O chefe do Governo canadiano emitiu estas declarações depois da vitória liberal nas três eleições parciais realizadas na segunda-feira — um resultado que interpretou como “um voto de confiança” na estratégia do seu Governo para fortalecer a economia do paÃs e reduzir a sua dependência dos Estados Unidos, num contexto de escalada de tensão comercial e diplomática bilateral.
Questionado sobre se o resultado eleitoral se devia a Trump, Carney respondeu: “Não, deve-se ao nosso plano”.
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