Putin anuncia querer aprofundar relação com a China depois de reunião com Xi

Moscovo, 31 ago 2026 (Lusa) — O Presidente russo anunciou hoje querer aprofundar a cooperação com a China, após uma reunião com o seu homólogo chinês no Quirguistão, onde ambos estão para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).

“Estamos prontos para cooperar para tornar permanente o regime de isenção de vistos, caso a China o considere possível e benéfico”, disse Vladimir Putin a Xi Jinping, segundo a agência de notícias Interfax.

Segundo a mesma fonte, Putin acrescentou que o turismo entre os dois países aumentou 43% no primeiro semestre do ano graças à isenção de vistos.

O líder do Kremlin aproveitou ainda a oportunidade para expressar as suas condolências ao líder chinês pelas vítimas das cheias na região chinesa do Tibente, na fronteira com o Nepal.

“Expresso as minhas mais profundas condolências às famílias e entes queridos dos falecidos, bem como os meus melhores votos de rápida recuperação a todos os feridos”, disse.

Durante o encontro entre os dois líderes, o segundo realizado este ano, Putin manifestou a sua satisfação pelo desenvolvimento bem-sucedido da cooperação entre Moscovo e Pequim “em todas as áreas, incluindo a económica”.

“Estamos a implementar projetos importantes nas áreas da energia, indústria, espaço, transportes e logística”, afirmou citado pela Interfax.

Putin recordou ainda que a OCX — que completa este ano o seu 25º. aniversário – foi fundada precisamente por iniciativa da Rússia e da China e saudou o facto de a organização ter adquirido um caráter mais global ao longo do tempo.

“A OCX tornou-se uma organização internacional consolidada”, congratulou-se Putin, expressando também a sua satisfação pelo facto de a Rússia e a China partilharem posições sobre muitas questões internacionais.

O Kremlin tinha anunciado anteriormente que Putin e Xi iriam discutir o projeto do gasoduto Força da Sibéria-2, que pretende ligar os campos de gás natural da Sibéria (na Rússia) à China, passando pelo território da Mongólia.

O acordo sobre este gasoduto não foi finalizado, como Moscovo esperava, durante a visita do líder do Kremlin à China, em maio passado.

No final da reunião de hoje, o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que esta decorreu numa atmosfera “construtiva e cordial” e que ambos os líderes se concentraram em discutir questões bilaterais.

Em relação à guerra na Ucrânia, Peskov esclareceu que os líderes russo e chinês abordaram o assunto “de passagem” e não em detalhe.

Putin vai também reunir-se, ainda hoje, na capital quirguiz, Bishkek, com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, depois de ter discutido a cooperação energética com o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano na semana passada, em Moscovo.

Na terça-feira, no final da cimeira, o Presidente russo deverá reunir-se com o seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, e com o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, com quem irá discutir a situação no Mar Negro e o conflito na Ucrânia.

Os 10 países membros da OCX deverão assinar cerca de 20 acordos e emitir uma declaração em Bishkek, onde estão também reunidos representantes de outros países observadores e convidados, como a Turquia, o Azerbaijão, a Arménia, a Mongólia, o Egito, o Laos, o Vietname e o Turquemenistão.

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