Ex-líder do Equador Lenin Moreno condenado a cinco anos de prisão por corrupção

Quito, 29 ago 2026 (Lusa) — A justiça do Equador condenou o antigo Presidente Lenin Moreno (2017-2021) a cinco anos de prisão por aceitar subornos de uma empresa estatal chinesa em troca de um contrato para construir uma central hidroelétrica.

Um tribunal considerou Moreno “culpado do crime de corrupção, impondo-lhe a ele e a outras seis pessoas, incluindo o ex-embaixador chinês Cai Runguo, uma pena de cinco anos de prisão”, anunciou o Ministério Público (MP) do Equador, na sexta-feira, numa mensagem publicada na rede social X.

Além disso, o tribunal aplicou a Moreno a “inabilitação perpétua para o exercício de cargos públicos”.

Ainda antes de saber a sentença, o ex-líder de 73 anos garantiu que iria recorrer da decisão inicial do julgamento, no qual a mulher e outros familiares foram condenados a quase três anos de prisão por cumplicidade.

Moreno, que esteve presente na leitura do veredicto, numa cadeira de rodas, devido a uma deficiência física que o impede de andar, deverá cumprir a pena em prisão domiciliária.

Moreno era vice-presidente do Governo do socialista Rafael Correa à data dos alegados crimes, entre 2007 e 2013, pelos quais o MP tinha pedido uma pena de seis anos e seis meses de prisão.

Segundo a acusação, Moreno participou numa rede de corrupção que operou de 2009 a 2018, no âmbito da construção da Coca-Cola Codo Sinclair, a maior central hidroelétrica do país, com uma capacidade de 1.500 megawatts.

A construção, na qual participou a empresa estatal chinesa Sinohydro, contou com financiamento do Banco de Exportação e Importação da China, também uma instituição estatal chinesa.

A central hidroelétrica começou a operar no final de 2016, mas só foi oficialmente entregue ao Governo em abril passado, apesar de apresentar milhares de fissuras.

Segundo Moreno, quando assumiu a presidência, a primeira ação foi investigar os projetos do Governo anterior que “foram mal construídos”, incluindo a central hidroelétrica, que na altura apresentava 17 mil fissuras.

O antigo presidente nega as acusações e sugeriu que o caso tem motivações políticas, ligadas ao principal detrator, Rafael Correa, exilado na Bélgica.

Após o veredicto, Moreno afirmou que “não recebeu um único cêntimo da Sinohydro”, que foi acusada de pagar subornos que totalizaram 76 milhões de dólares (65,6 milhões de euros).

Moreno é o terceiro ex-presidente equatoriano a ser condenado por corrupção, embora tenha sido julgado por crimes antes de chegar à presidência.

Correa foi condenado pela Justiça equatoriana, à revelia, em 2020, a oito anos de prisão num caso de suborno que envolve a gigante brasileira da construção civil Odebrecht.

O antigo presidente Jamil Mahuad (1998-2000) foi também condenado em 2014 a oito anos por desvio de fundos públicos.

Outro ex-presidente, Abdalá Bucaram (1996-1997), aguarda sentença depois de ter sido condenado por crime organizado.

A empresa estatal chinesa Sinohydro tem operações em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, nomeadamente na construção de infraestruturas de tratamento e abastecimento de água e distribuição de eletricidade.

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