Pelo menos 40 passageiros continuam em Cabo Verde após cancelamento de voo da EasyJet para o Porto

Praia, 28 ago 2026 (Lusa) — Pelo menos 40 dos cerca de 130 passageiros afetados continuam na ilha da Boa Vista, em Cabo Verde, três dias depois do cancelamento de um voo da EasyJet para o Porto, em Portugal, ainda sem confirmação oficial sobre o regresso.

“Só aqui no hotel Riu Karamboa estamos mais de 40. Existirão mais noutros hotéis”, disse à Lusa Jerónimo Velasco, de 61 anos, de nacionalidade portuguesa, que viajava com a mulher e dois filhos.

Segundo o passageiro, foi informado na quinta-feira que existiria um voo de regresso a Portugal em 01 de setembro, mas a informação foi transmitida apenas através de mensagens reencaminhadas pelas agências de viagens.

“Não temos nenhum documento oficial a confirmar isso. Apenas mensagens reencaminhadas pelas agências de viagens”, afirmou.

Jerónimo Velasco disse que a operadora ‘NewBlue’ assumiu na quinta-feira as despesas de alojamento e garantiu a estadia dos passageiros até terça-feira.

O passageiro criticou, contudo, a falta de informação desde o cancelamento do voo, afirmando que, até quinta-feira, não tinha recebido uma resposta direta da EasyJet nem do operador sobre o regresso.

“Não ofereceram alternativas, nem se responsabilizaram por nenhuma despesa com viagem de regresso a Portugal”, afirmou.

Velasco, que é advogado, disse que o cancelamento o levou a faltar a uma audiência judicial na quarta-feira e que a mulher e os filhos têm compromissos profissionais a partir de 31 de agosto.

O passageiro referiu ainda dificuldades relacionadas com a medicação habitual, afirmando que ficou sem o medicamento que toma diariamente para a tensão arterial e que está a tentar, através do médico, encontrar uma alternativa, uma vez que o medicamento que utiliza não estará disponível em Cabo Verde.

O voo EJU6872, da Boa Vista para o Porto, estava previsto para terça-feira, 25 de agosto, mas foi cancelado.

Na quarta-feira, Abel Fernandes, de 32 anos, de nacionalidade portuguesa, que estava de férias na Boa Vista, disse à Lusa que cerca de 130 pessoas tinham sido afetadas pelo cancelamento.

Segundo o passageiro, alguns viajantes receberam uma mensagem da companhia na noite de segunda-feira a informar que o voo tinha sido cancelado.

Os passageiros contactaram as respetivas agências de viagens em Portugal, que começaram a procurar alternativas, enquanto na Boa Vista aguardavam informações sobre a situação.

“Alguns colegas conseguiram, com as agências de Portugal, alterar os voos e viajar através de escalas”, contou Abel Fernandes, acrescentando que ele e os dois acompanhantes conseguiram uma alternativa com destino a Londres, onde se encontravam na quarta-feira, com regresso ao Porto na quinta-feira.

Em esclarecimentos à Lusa, a EasyJet explicou que a aeronave prevista para operar a rota ficou retida, no dia anterior, em Basileia, na Suíça, devido a restrições do controlo de tráfego aéreo na sequência de condições meteorológicas adversas na Europa Central.

A companhia afirmou que aos passageiros foi oferecida a possibilidade de serem transferidos gratuitamente para o voo seguinte disponível ou de receberem um reembolso integral.

Acrescentou que os passageiros que tenham tomado medidas alternativas por sua conta serão reembolsados por despesas razoáveis e que foram prontamente informados sobre as opções disponíveis.

A companhia disse ainda que não consegue precisar quantos passageiros permanecem na Boa Vista, uma vez que alguns poderão ter recorrido a outras companhias aéreas para sair da ilha.

Contactada novamente pela Lusa hoje sobre a situação, a EasyJet disse que continua a acompanhar o caso, mas que ainda aguardava novidades.

“Sobre o número de passageiros, será sempre complicado estimar uma vez que qualquer passageiro pode optar por outras companhias aéreas ou alternativas para sair. Mas continuamos a acompanhar de perto e a monitorizar a situação”, referiu.

A EasyJet iniciou a operação em Cabo Verde em outubro de 2024, com ligações entre Lisboa e o Porto e a ilha do Sal, tendo alargado a operação, em outubro de 2025, à Boa Vista, Praia e São Vicente.

O turismo é um dos principais motores da economia cabo-verdiana. O país recebeu 1,2 milhões de hóspedes em 2025, mais 6% do que no ano anterior.

 

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