
Como é que uma cidade inteira pode desaparecer sem deixar ruas, casas ou habitantes à vista?
A resposta está nas águas do rio São Lourenço. Antes de ficar submersa, Mille Roches era uma comunidade ativa, no leste de Ontário, com centenas de habitantes.
O nome significa “Mil Rochas” e a localidade cresceu graças à força da água e à chegada do caminho de ferro. Tinha lojas, escolas, igrejas, uma estação ferroviária e uma fábrica de papel que chegou a empregar mais de 300 pessoas.
Mille Roches tinha 651 habitantes.
Mas esta comunidade ficou no caminho de um dos maiores projetos de engenharia do Canadá.
A construção da Via Marítima de São Lourenço e do projeto hidroelétrico exigia a subida do nível da água para criar o lago de São Lourenço.
A mudança teve um preço: mais de 6.500 pessoas tiveram de abandonar as suas casas.
Em Mille Roches, algumas habitações foram desmontadas e transportadas para Long Sault. Outros edifícios tiveram o mesmo destino. Até os cemitérios foram transferidos.
A 1 de julho de 1958, a água começou a cobrir as antigas comunidades.
Mille Roches desapareceu.
No local onde existiam ruas e casas, há agora água e ilhas, numa paisagem procurada por quem visita esta região de Ontário.
Mas parte da antiga comunidade sobrevive em terra firme. No Lost Villages Museum, em Ault Park, foram preservados edifícios retirados das localidades antes da inundação.
E há quem continue a procurar vestígios da antiga comunidade.
A 19 de julho, dois mergulhadores recuperaram uma placa original de Mille Roches no rio São Lourenço e entregaram-na à sociedade histórica local.
Quase 70 anos depois, a cidade desaparecida continua a contar a sua história — tanto à superfície como debaixo de água.



