Violência doméstica: PSP assegura que disparou contra suspeito na Amadora em “legítima defesa”

Amadora, Lisboa, 25 ago 2026 (Lusa) — A PSP assegurou hoje que o disparo contra o jovem suspeito de violência doméstica contra o pai na Amadora, distrito de Lisboa, foi em “legítima defesa” para preservar a integridade física dos polícias, adiantando que haverá um inquérito-crime.

“No local ainda estão a ser feitas diligências, nomeadamente pela Polícia Judiciária, no que respeita ao inquérito de crime”, afirmou o subintendente Adriano Magalhães, em declarações aos jornalistas junto à sede da Divisão Policial da Amadora.

O subintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP) reforçou que “irá ser aberto um inquérito para apurar em concreto as circunstâncias sobre as quais decorreu esta situação”, salientando que o recurso a arma de fogo por parte dos agentes da PSP, uma patrulha de três elementos, foi em caso de absoluta necessidade.

Em causa está uma ocorrência de violência doméstica numa habitação na Amadora, em que um homem de 26 anos é suspeito de “ameaçar contra a vida” do pai, de 62 anos, vítima que se dirigiu na manhã de hoje a uma esquadra da PSP para denunciar a situação.

Ainda antes da denúncia, na segunda-feira, a PSP foi acionada para esta habitação, mas à chegada ao local o suspeito de violência doméstica já não se encontrava na casa.

Na sequência da formalização da queixa hoje de manhã na esquadra, a vítima informou os polícias que o filho estava na habitação e que “continuava com um comportamento bastante hostil”, referiu o subintendente Adriano Magalhães.

“Os polícias acompanharam o ofendido à sua habitação e à chegada à mesma foram logo recebidos com bastante hostilidade e violência pelo suspeito, pelo que tiveram de proceder à sua detenção. Quando tentavam efetivar a detenção, o suspeito conseguiu fugir por uma janela de habitação e, imediatamente, começou a arremessar bastantes pedras na direção dos polícias”, relatou o subintendente da PSP.

A meio da fuga, de acordo com a PSP, o suspeito ameaçou a patrulha com uma pedra na mão, pelo que “os polícias debitaram várias vezes ordens para que o mesmo largasse aquela pedra, tendo inclusivamente efetuado alguns disparos de advertência para o ar”.

Apesar da advertência, o jovem “não obedeceu e, quando se preparava para arremessar a pedra que tinha na sua mão, um dos polícias efetuou um disparo na direção da parte inferior da sua perna direita, vindo a atingir o suspeito”, indicou Adriano Magalhães.

Ainda assim, o suspeito conseguiu arremessar a pedra, sem provocar ferimentos nos agentes da PSP, mas conseguiu continuar a sua fuga, “vindo a ser intercetado algumas centenas de metros mais adiante”, acabando por ser detido.

O jovem, que sofreu ferimentos ligeiros e recebeu assistência médica no local, foi encaminhado para o hospital Amadora-Sinta e encontra-se estável, aguardando alta médica para ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, segundo a PSP.

O subintendente Adriano Magalhães reforçou que “o disparo que atingiu o suspeito foi apenas um”, insistindo que “os polícias utilizaram a arma de fogo de forma passiva, no sentido de tentar cessar com a fuga e a conduta do suspeito”.

“Tendo em conta estes dados que dispomos e os relatos que foram feitos pelos polícias no local, as circunstâncias em si poderão enquadrar-se numa situação de legítima defesa, uma vez que esta última ameaça do suspeito para com os polícias foi efetuada a uma curta distância e poderia provocar ou colocar em causa a integridade física dos polícias”, frisou o subintendente da PSP.

Em relação ao homem que sofria de violência doméstica por parte do filho, a PSP informou que a vítima não foi agredida no dia de hoje, mas foi ameaçada contra a sua integridade física e vida, tendo comunicado que “era uma situação que já se vinha a repetir durante alguns dias”.

“Este pai e filho já haviam partilhado a mesma casa, de momento o pai não queria coabitar com o filho e o mesmo forçava a sua entrada na habitação recorrentemente”, adiantou o subintendente, revelando que o jovem viveria no passado na dependência económica do pai, que “era a única pessoa que trabalhava naquela habitação”, tentando o filho, “no fundo, continuar este estilo de vida”.

A intervenção da PSP, com recurso a arma de fogo, ocorreu num “local bastante isolado”, na Amadora, tendo como testemunhas apenas as pessoas que estiveram diretamente envolvidas na situação, a vítima, o suspeito e os três polícias, acrescentou Adriano Magalhães.

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