
Maputo, 25 ago 2026 (Lusa) — A dÃvida pública moçambicana subiu para 1,12 biliões de meticais (15 mil milhões de euros) no primeiro semestre, perÃodo em que o Estado recebeu 12,5 mil milhões de meticais (168 milhões de euros) de financiamento externo.
De acordo com o Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) do primeiro semestre, a que a Lusa teve hoje acesso, os desembolsos de financiamento externo para a cobertura do défice ascenderam a 12.455,8 milhões de meticais, enquanto o stock da dÃvida pública se situou em 1.117.374,3 milhões de meticais.
Assim, o ‘stock’ da dÃvida pública aumentou 2% face ao final de 2025, quando ascendia a 1.090.600,1 milhões de meticais (14,7 mil milhões de euros), sobretudo em resultado do crescimento de 16% da dÃvida interna, para 551.795,4 milhões de meticais (7,5 mil milhões de euros), enquanto a dÃvida externa recuou 8,2%, para 565.578,9 milhões de meticais (7,6 mil milhões de euros).
No capÃtulo dedicado aos riscos fiscais, o documento identifica a dÃvida pública como uma das principais pressões sobre as finanças do Estado, referindo que “foram avaliados quatro riscos principais: crescimento económico, com nÃvel médio; despesa pública, com nÃvel médio; dÃvida pública, com nÃvel alto; e desastres naturais, com nÃvel alto”.
O relatório indica que o Governo está a implementar a Estratégia de Gestão da DÃvida de Médio Prazo 2025-2029, aprovada para reforçar a sustentabilidade do endividamento público. Nesse âmbito, tal como a Lusa noticiou em 2025, refere que foi contratada a consultora Alvarez & Marsal “com vista a melhorar a gestão de passivos, comunicação com o mercado e desenvolvimento de instrumentos que promovam maior eficiência e credibilidade na gestão da dÃvida pública”.
O documento acrescenta ainda que, no quadro da estratégia de gestão da dÃvida, foram realizados no primeiro semestre seis leilões de troca de Obrigações do Tesouro.
Segundo o balanço do PESOE, nessas operações foram emitidos tÃtulos no montante total de 37.227,9 milhões de meticais (503 milhões de euros), com maturidade média ponderada de 4,33 anos e taxa média de juro de 13,25%.
Do total, 29.431,8 milhões de meticais (397,7 milhões de euros) corresponderam à troca ou rolagem de capital de Obrigações do Tesouro, operação que, segundo o relatório, “não constitui nova emissão lÃquida de dÃvida”.
Os restantes 7.796,1 milhões de meticais (105,4 milhões de euros) corresponderam à troca de juros vencidos associados à s operações realizadas entre abril e junho, constituindo, segundo o Governo, “o único acréscimo lÃquido ao stock da dÃvida decorrente destas operações”.
O relatório detalha que a componente externa representava 755.596,3 milhões de meticais (10,2 mil milhões de euros) do ‘stock’ total da dÃvida pública no final de junho, enquanto a dÃvida interna se fixava em 361.778 milhões de meticais (4,9 mil milhões de euros).
O balanço do PESOE acrescenta que a dÃvida externa continuou a representar a maior parcela do endividamento público, correspondendo a cerca de 68% do ‘stock’ total registado no primeiro semestre.
Já a dÃvida interna manteve uma trajetória de crescimento associada, sobretudo, à emissão de Bilhetes e Obrigações do Tesouro para financiamento de curto prazo das necessidades do Estado e operações de gestão da dÃvida pública.
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