Jorge Andrade reconduzido na Polícia Nacional de Cabo Verde com foco na modernização

Praia, 24 ago 2026 (Lusa) — O diretor nacional da Polícia Nacional (PN) de Cabo Verde, Jorge Andrade, foi hoje reconduzido no cargo e anunciou uma nova fase de modernização da corporação, com reforço do policiamento de proximidade, da tecnologia e dos recursos humanos.

“Como é evidente, a intervenção de proximidade, a intolerância às sensibilidades, a prevenção e a reação criminal afiguram-se-nos como princípios essenciais”, afirmou Jorge Andrade, durante a cerimónia de posse dos novos dirigentes da PN, na cidade da Praia.

O responsável apontou ainda como prioridades a integração de novas tecnologias, a valorização dos efetivos e o reforço dos meios para a atuação policial.

Jorge Andrade defendeu uma melhoria da fiscalização e regulação da atividade de segurança e vigilância privada.

“A prevenção da violência e do crime não pode ser unicamente função de ação policial”, afirmou, defendendo uma política transversal que envolva diferentes setores e instituições.

O diretor nacional defendeu que a promoção da segurança deve envolver as comunidades e as instituições que integram o sistema de segurança interna.

Jorge Andrade sustentou também que a PN deve estar “na vanguarda da sua autoavaliação crítica”, com abertura à mudança, à modernização e à adoção dos procedimentos mais adequados.

A integração de novas tecnologias e a atualização das disposições legais e dos procedimentos policiais foram igualmente apontadas como necessárias para responder aos desafios da segurança.

Na área dos recursos humanos, defendeu a valorização dos efetivos e afirmou que as promoções e progressões “não devem ser descuradas”.

Sobre o Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR), reconheceu os anseios dos agentes, mas disse que “chegará o momento adequado e oportuno” para discutir a matéria.

Na mesma cerimónia, o ministro da Administração Interna, Carlos Sena, que lhe conferiu posse, anunciou uma nova abordagem do Governo para a segurança interna, assente numa polícia “mais inteligente, mais preventiva, mais próxima, mais colaborativa e tecnologicamente mais capacitada e baseada em evidências”.

O governante anunciou uma legislatura marcada pelo investimento na PN, incluindo a criação da Academia de Segurança Interna, destinada à formação inicial, contínua e especializada, o reforço dos efetivos e das chefias, a melhoria das infraestruturas e condições de trabalho e a modernização dos equipamentos e das comunicações.

O Governo pretende ainda reforçar a capacidade operacional de investigação e intervenção da PN e utilizar informação e dados para direcionar os recursos policiais para os locais e momentos em que são mais necessários.

O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, afirmou que o Governo pretende dar continuidade ao trabalho já realizado, mas defendeu “um novo quadro mental” e uma mudança na forma de atuação.

“Não continuar a fazer como sempre se fez, porque sempre se fez assim. Não há desenvolvimento sem crítica”, afirmou.

A cerimónia marcou ainda a posse dos novos dirigentes e chefias da PN.

Roberto Carlos Centeio Lima foi reconduzido como diretor nacional adjunto para a área das Operações de Segurança e Ordem Pública.

Foram nomeados Bremen Celestino Cardoso, como diretor nacional adjunto para a área de Planeamento, Orçamento, Gestão e Formação, Alvarino Ribeiro, para a área das Operações de Segurança Aeroportuária e Controlo Fronteiriço, Sistemas de Informação, Comunicações e Ação Estratégica Policial.

Igualmente foi nomeado Orlando Évora para a área das Operações Especiais e de Segurança Marítima e Fiscal.

 

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