
BrasÃlia, 24 ago 2026 (Lusa) — O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que “ninguém está acima da lei”, embora “a presunção de inocência deva ser sempre respeitada”, face aos inquéritos policiais ao filho mais velho.
“As instituições brasileiras estão a ser fortalecidas e têm a responsabilidade de investigar todos, sem exceção ou privilégio. Ninguém está acima da lei”, declarou Lula da Silva, numa publicação nas redes sociais, acrescentando que “investigar é diferente de condenar”.
Neste sentido, o chefe de Estado realçou que “a presunção de inocência deve ser sempre respeitada” e que “toda a pessoa tem direito à defesa, ao devido processo legal e à prova da sua inocência”.
Em 04 de agosto, o Supremo Tribunal Federal do Brasil autorizou a PolÃcia Federal a abrir um terceiro inquérito para investigar Fábio LuÃs Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeita de tráfico de influência.
“Se existem irregularidades, devem ser investigadas. Se há desvio de fundos públicos, os responsáveis devem responder pelos seus atos”, afirmou o Presidente, sem mencionar especificamente o filho.
“É assim que se fortalece a democracia: com instituições sólidas e respeito pela Constituição”, acrescentou Lula.
A polÃcia está a investigar suspeitas de tráfico de influência, corrupção e possÃvel favorecimento de empresários e interesses privados em órgãos federais, nomeadamente ligado à venda de medicamentos ao Governo federal brasileiro.
No final de julho, durante uma entrevista a um podcast no Brasil, Lula afirmou que o filho mais velho não terá “nenhum privilégio” e que não irá interferir nas investigações.
A investigação contra o primogénito de Lula surgiu na véspera do arranque oficial da campanha para as presidenciais de outubro, nas quais o lÃder do Partido Trabalhista tentará um quarto mandato não consecutivo.
Segundo as últimas sondagens, Lula parte como favorito para estas eleições, à frente do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), atualmente preso por tentativa de golpe de Estado.
Tanto Lula da Silva como Flávio Bolsonaro estiveram ausentes do primeiro debate presidencial, que foi realizado no domingo, em São Paulo.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, desistiu à última hora e atribuiu a decisão à ausência dos dois candidatos mais populares, segundo um comunicado oficial divulgado pela sua campanha.
Lula deu uma entrevista à emissora TV Record, transmitida à mesma hora do debate, em que expressou nostalgia pelas eleições anteriores e criticou a degradação do discurso polÃtico contemporâneo nas redes sociais.
“A situação tem vindo a agravar-se. Hoje, se comparar a disputa atual com a de antigamente, percebe-se que a importância dos polÃticos que se candidatam a cargos públicos diminuiu”, lamentou.
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