Governo quer moçambicana LAM pontual e com menos voos cancelados

Beira, Moçambique, 17 ago 2026 (Lusa) — O secretário de Estado dos Transportes e Logística moçambicano pediu hoje às Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) para aumentar a disponibilidade operacional da frota, melhorar a pontualidade e reduzir cancelamentos de voos, para reforçar a confiança dos passageiros.

“O Governo acompanha com atenção o processo de recuperação da LAM. A entrada destas aeronaves não encerra o processo de transformação. Pelo contrário, aumenta a responsabilidade. Agora, é necessário demonstrar que este investimento produz resultados. É necessário aumentar a disponibilidade operacional da frota, melhorar a pontualidade e reduzir os cancelamentos”, afirmou Chinguane Mabote.

O governante falava no Aeroporto Internacional da Beira, na província de Sofala, centro do país, após o voo inaugural da segunda aeronave Embraer 190, batizada “Zambeze”, que começou hoje a operar, elevando para 10 o número de aviões operacionais da transportadora estatal.

A LAM atravessa um profundo processo de reestruturação, após vários anos marcados por dificuldades operacionais associadas à reduzida dimensão da frota e à falta de investimento, marcado ainda por críticas constantes de atrasos e cancelamentos de voos por motivos operacionais.

Mabote afirmou que cabe agora à companhia utilizar da melhor forma os recursos de que dispõe, nomeadamente a frota reforçada, assegurando melhores serviços.

O secretário de Estado instou ainda a LAM a “aumentar a confiança dos passageiros e garantir que a companhia avance para uma situação financeira mais sustentável”.

“É isto que esperamos da administração e dos trabalhadores da LAM”, acrescentou.

Segundo o governante, o executivo espera uma gestão competente e orientada para resultados concretos, sublinhando que a entrada em operação de mais uma aeronave contribuirá para melhorar a conectividade nacional, facilitando a circulação de pessoas e bens.

“Quando falamos de transporte aéreo não estamos a falar apenas de aviões. Estamos a falar de uma estudante que precisa de chegar a uma universidade noutra província, de um empresário que precisa de visitar um cliente, de uma empresa que precisa de deslocar os seus técnicos, de uma família que precisa de viajar, de um investidor que precisa de chegar a uma nova região e de um turista que procura explorar o nosso país”, afirmou.

A frota da LAM passou hoje a contar com 10 aeronaves operacionais, com a entrada em serviço de mais um Embraer 190 sob a marca Air Mozambique.

A primeira das duas aeronaves (cada com 100 lugares) começou a operar na sexta-feira, tendo realizado um voo inaugural entre Maputo e Nacala, na província de Nampula, já sob a nova designação comercial Air Mozambique.

O Governo tinha anteriormente indicado que a introdução da nova marca Air Mozambique e o reforço da frota se inserem no plano de reestruturação e recuperação da LAM, destinado a aumentar a eficiência operacional, garantir a sustentabilidade financeira da empresa e melhorar a qualidade e a regularidade dos serviços prestados aos passageiros.

Com a designação Air Mozambique, a transportadora passa a apresentar uma nova identidade visual associada à estratégia de transformação da companhia, lançada há um ano como uma das prioridades do Presidente moçambicano, Daniel Chapo.

Na terça-feira, o presidente da comissão de gestão da LAM, Dane Kondic, afirmou que a empresa prevê operar com 12 aeronaves até ao final do ano, contra as três que possuía quando a atual administração assumiu funções, em maio de 2025.

No âmbito do processo de reestruturação, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) adquiriu, em 2025, uma participação de 25,2% no capital da transportadora, enquanto a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) passaram a deter, cada um, 15,4%.

PME (PVJ) // JMC

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