
Genebra, Nações Unidas, 10 ago 2026 (Lusa) — Peritos da ONU alertaram hoje, numa declaração conjunta, que “o genocÃdio continua” na Faixa de Gaza, onde mais de 1.200 palestinianos morreram em ataques israelitas desde o cessar-fogo assinado em outubro passado.
Só em julho, as forças israelitas mataram cerca de 160 palestinianos na Faixa de Gaza, observaram os peritos, salientando que a maioria das mortes nos últimos dez meses ocorreu em zonas densamente povoadas por deslocados internos e longe da chamada “linha amarela”, que demarca as posições israelitas no enclave palestiniano.
Na declaração relataram que quarteirões residenciais inteiros recebem ordens de evacuação pouco antes de serem destruÃdos pela aviação israelita.
“O avanço contÃnuo para oeste da chamada ‘linha amarela’, a construção de uma barreira de 23 quilómetros ao longo da mesma e a demolição sistemática de edifÃcios residenciais estão a remodelar à força e através de deslocações a geografia de Gaza”, criticaram.
A declaração foi assinada pela relatora especial da ONU sobre a situação na Palestina, Francesca Albanese, juntamente com outros 18 peritos das Nações Unidas.
Os especialistas condenaram também os ataques a hospitais e abrigos, o assassÃnio de polÃcias e funcionários contratados pela ONU, as investidas contra pescadores e os raptos e abusos cometidos por grupos armados que, segundo vários relatos, colaboram com o exército israelita.
Na declaração, avisaram ainda que a ajuda alimentar não consegue entrar livremente na Faixa de Gaza e que os produtos disponÃveis nos canais comerciais são ultraprocessados ??e nutricionalmente inadequados.
As autoridades da Faixa de Gaza, controladas pelo grupo islamita Hamas, elevaram hoje o número de mortos para quase 1.258 e o de feridos para mais de 4.145, em consequência dos ataques levados a cabo por Israel desde o acordo de cessar-fogo assinado em outubro de 2025, enquanto 807 corpos foram recuperados dos escombros.
Ao abrigo do plano proposto pelo Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, estrutura criada pelos Estados Unidos com acordo da ONU, a segunda fase das negociações previa o desarmamento do Hamas, a retirada gradual do exército israelita e a criação de um governo tecnocrático palestiniano, a par de uma força internacional de estabilização.
No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou no domingo que rejeitou o plano de 15 pontos, entretanto aceite pelo Hamas, até que o desarmamento das milÃcias palestinianas esteja concluÃdo.
A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu em novembro de 2024 mandados de captura contra Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e contra a humanidade.
Também o comandante militar do Hamas Mohammed Deif foi visado pelo tribunal da ONU, sediado em Haia, antes da confirmação da morte, à semelhança da maioria dos altos dirigentes do grupo islamita abatidos por Israel.
No ano seguinte, uma Comissão de inquérito Independente, nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, considerou que as ações de Israel na Faixa de Gaza constituÃam “um genocÃdio”, alegações rejeitadas reiteradamente por Telavive.
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