Moçambicano Ique Langa recebe apoio financeiro no Festival de Cinema de Locarno

Locarno, Suíça, 10 ago 2026 (Lusa) — O realizador moçambicano Ique Langa venceu hoje um apoio ao desenvolvimento no Festival de Cinema de Locarno, que decorre na Suíça, para o projeto da próxima longa-metragem de ficção, intitulada “Chapa 100”.

O festival de Locarno anunciou hoje os projetos de cinema que vão ter apoio ao desenvolvimento, no âmbito do programa paralelo “Open Doors”, e entre eles consta “Chapa 100”, de Ique Langa, com produção de Kulunga Filmes, que receberá 8.000 euros.

A sinopse refere que o filme conta a história de um vendedor de flores com 80 anos que conhece uma vendedora de legumes nos seus 70 anos, iniciando aí uma história de amor.

“Juntos, sonham com um pequeno pedaço de terra onde flores e legumes possam crescer lado a lado. O destino intervém no dia em que vão ao banco pedir um empréstimo”, quando são assaltados e o vendedor de flores corre atrás dele e é atropelado, assumindo então contornos de realismo mágico.

De acordo com as publicações Variety e Cineuropa, o projeto tem 1,1 milhões de euros de orçamento e contará com coprodução portuguesa da Midas Filmes, de Pedro Borges.

Ainda no âmbito do programa “Open Doors”, a realizadora angolana Pocas Pascoal receberá um apoio da Organização Internacional da Francofonia para o filme “Sarah”, sobre a cineasta Sarah Maldoror, pioneira no cinema africano.

À Lusa, Pocas Pascoal já tinha explicado anteriormente que este projeto pretende pôr em evidência Sarah Maldoror, que, no seu cinema, olhou para quem quase nunca era visto, e também “essas mulheres de que a história não falou ou que a história pôs na sombra”.

Além destes projetos, tanto Ique Langa como Pocas Pascoal apresentaram os seus mais recentes filmes em Locarno: a longa-metragem “O profeta” e a curta-metragem “Time to Change”, respetivamente.

No “Open Doors”, o filme “Submergido”, do moçambicano Ariel Añez, foi contemplado com um apoio à divulgação pela organização African Film Press.

O programa “Open Doors” é uma plataforma de coprodução e desenvolvimento de talentos de realizadores oriundos de comunidades, regiões ou países que lutam por igualdade de direitos e de oportunidades e onde “a expressão artística está em risco”.

Atualmente, o “Open Doors” tem em curso um ciclo de quatro edições dedicadas a países africanos.

A 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno, na qual estão presentes os filmes “O Jacaré”, de Basil da Cunha, e “Guerrilha do Asfalto”, de Edgar Pêra, termina no dia 15.

SS(SMM/TDI) // MAG

Lusa/fim