
Lisboa, 08 ago 2026 (Lusa) — A PolÃcia Judiciária (PJ) participou numa “mega operação internacional” que deteve 78 pessoas, apreendeu 18 lanchas e desmantelou “uma das maiores redes de tráfico de pessoas e de estupefacientes em Espanha” com ligações e bases operacionais em Portugal.
Segundo a informação hoje divulgada pela PJ, a operação SALEM levou ao “desmantelamento de uma grande organização criminosa transnacional que se dedicava ao tráfico de pessoas, auxilio à imigração ilegal, tráfico de estupefacientes e de armas, e que fornecia ainda a logÃstica necessária à atividade criminosa de várias outras associações criminosas sediadas na Europa, nomeadamente em paÃses como a França e a Bélgica”.
Em comunicado, a PJ adianta ter participado na operação liderada pelo Cuerpo Nacional de PolÃcia e pela Guardia Civil de Espanha, com o apoio da Europol, no decurso da qual foram detidas 78 pessoas em Espanha e na Argélia, se efetuaram 17 buscas, todas no território espanhol, e apreendidas 18 embarcações de alta velocidade.
Segundo o comunicado da Europol sobre a operação, as lanchas apreendidas estão avaliadas em mais de cinco milhões de euros, havendo embarcações com 14 metros de comprimentos e cada uma delas com três a quatro motores.
Ainda no âmbito da operação policial, foram apreendidas “armas e munições mais de 25 mil euros em dinheiro, e ativos ligados a branqueamento de capitais e identificação de canais informais de transferência de dinheiro, produto estupefaciente e equipamentos de telecomunicações encriptados – telemóveis por satélite, dispositivos GPS, e antenas parabólicas”.
A Europol explica que a organização criminosa funcionava como “uma empresa de logÃstica”, tendo evoluÃdo do tráfico de droga para uma empresa criminosa de fluxo duplo para maximizar lucros.
“Nas rotas de saÃda de Espanha e Portugal para a Argélia, o tráfico centrava-se em drogas sintéticas (como o MDMA), armas de fogo e explosivos. Nas rotas de regresso da Argélia para Espanha, o grupo traficava migrantes, cobrando até 12 mil euros por pessoa”, adianta o comunicado da agência europeia para a cooperação policial.
O comunicado adianta que numa viagem apenas podiam ser traficados mais de 50 migrantes.
“Ao todo, os lucros do tráfico de migrantes estão estimados em mais de 24 milhões de euros”, acrescenta.
O comunicado refere ainda que a rede também fornecia serviços a outros grupos de crime organizado, facilitando o tráfico de pessoas e bens no Mediterrâneo ocidental.
“A estrutura de tipo empresarial permitiu que a rede diversificasse as suas atividades criminosas, aumentasse lucros e fosse ao encontro das necessidades do mercado de crime quer na Argélia, quer na União Europeia. Também otimizou a eficiência das travessias por barco”, lê-se no comunicado da Europol.
De acordo com a Europol, os suspeitos, maioritariamente de origem argelina, tinham ligações com grupos criminosos em França, Bélgica, Portugal, Itália e Polónia.
“A rede também tinha ligações a organizações maiores, incluindo a auto-denominada ‘Mocro Mafia’ [redes de crime organizado nos PaÃses Baixos e Bélgica] e o ‘Marseille Milieu’ [rede de crime organizado em Marselha]. Recorria a violência extrema, usando armas, ameaças e contratando assassinos para reforçar o controlo em relação a membros e migrantes”, refere a Europol.
O comunicado da agência europeia para a cooperação policial acrescenta que a rede operava através de subestruturas bem definidas ativas em regiões chave, mantendo uma hierarquia estável que permitia que continuasse a funcionar mesmo com os seus membros presos.
“Esta organização foi responsável pela angariação e transporte de vários milhares de imigrantes, que introduziu no espaço europeu, de forma ilegal, tratando também do transporte de estupefacientes, armas e explosivos, servindo de suporte logÃstico na lógica de ‘crime as a service'”, explica o comunicado da PJ.
A mesma informação adianta que a rede “tinha o seu centro de operações em Espanha, controlando as operações a partir de Almeria, Múrcia, Cartagena e Alicante, com ligações a Ibiza e ao sul da França, na cidade portuária de Marselha”.
A Europol refere que havia ainda bases operacionais na Bélgica, Portugal, Itália e Polónia, enquanto a liderança da rede estava baseada em França e Bélgica.
Na operação internacional participaram ainda as polÃcias nacionais de França e Polónia.
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