
Lisboa, 07 ago 2026 (Lusa) — A auditoria que a inspeção-geral da Justiça vai fazer à PolÃcia Judiciária (PJ) foi pedida pelo atual diretor e foca-se nas obras públicas feitas, confirmou esta polÃcia, mas o Ministério da Justiça (MJ) não esclarece prazos para conclusão.
O MJ adiantou na quinta-feira ter determinado uma “avaliação interna destinada a enquadrar as questões que têm vindo a ser divulgadas pelos meios de comunicação social”, relativas à s polémicas que envolvem o atual ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da PJ, LuÃs Neves.
“Em paralelo, a Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) – que procede regularmente à auditoria e inspeção de todos os organismos da Justiça – realizará também uma auditoria à PJ”, adiantou ainda o MJ.
Hoje, fonte da PJ confirmou notÃcias de que esta auditoria da inspeção-geral foi pedida pelo atual diretor nacional, Carlos Cabreiro, pedido a que a ministra Rita Alarcão Júdice anuiu.
Segundo a mesma fonte, a auditoria vai centrar-se em contratos e obras públicas no perÃodo entre 01 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026, ou seja, um perÃodo que abrange o final de mandato do antecessor de LuÃs Neves, Almeida Rodrigues, e os primeiros meses de mandato do novo diretor, Carlos Cabreiro.
Questionado pela Lusa, o MJ não esclareceu, para já, quais os prazos para a conclusão da auditoria, assim como da avaliação interna pedida à PJ, nem quais as justificações para o perÃodo de análise determinado, remetendo esclarecimentos para mais tarde.
Os procedimentos e funcionamentos dentro da PJ estão sob escrutÃnio depois de se ter tornado público que LuÃs Neves autorizou que um atrelado apreendido pela PJ num processo de tráfico de droga ficasse à guarda de um empreiteiro de Barcelos, de quem Neves é amigo e que realizou várias obras para a PJ, ganhos em concursos públicos, e também numa propriedade do antigo diretor nacional em Odemira, no Alentejo, sem licenciamento, factos também sob escrutÃnio.
Na conferência de imprensa no final de julho, convocada por LuÃs Neves para esclarecer as polémicas que o envolvem, e na qual justificou o caso do atrelado como “um puro ato de boa gestão” e de bom uso de dinheiros públicos, deixou crÃticas ao seu antecessor Almeida Rodrigues e à gestão que este fez à frente da PJ.
Neves afirmou que quando chegou à direção nacional da PJ, em 2018, encontrou “uma instituição profundamente fragilizada”, sem meios, pessoas ou instalações dignas, tendo enumerado vários investimentos e reformas feitos por si.
Em resposta, numa carta enviada à Lusa, Almeida Rodrigues repudiou as crÃticas do ministro da Administração Interna sobre a falta de meios na PJ e lembrou que LuÃs Neves fazia parte da direção durante o seu mandato.
O ex-diretor nacional sublinhou que LuÃs Neves “não ‘chegou’ à direção da PJ apenas no momento em que assumiu funções como diretor nacional”, lembrando que, durante todo o seu mandato de dez anos, o ministro foi diretor da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT), com comissões de serviço “sucessivamente renovadas” por sua proposta.
Segundo Almeida Rodrigues, LuÃs Neves “integrou a equipa diretiva da PolÃcia Judiciária, participou na gestão global da instituição e dirigiu diretamente a sua unidade”, demonstrando “sempre total alinhamento com as decisões tomadas, sem registo de discordância”.
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