
Lisboa, 07 ago 2026 (Lusa) — O PS defendeu hoje que a situação do ministro da Administração Interna “atingiu o limite do admissÃvel no quadro do normal funcionamento das instituições” e exortou o primeiro-ministro a “pôr ordem no Governo” e a “tomar decisões difÃceis”.
“São desenvolvimentos com especial gravidade. O assunto em torno do ministro da Administração Interna atingiu o limite do admissÃvel no quadro do normal funcionamento das instituições. Já temos o Governo a investigar o Governo, a ministra da Justiça a promover o inquérito das atividades de um do seu colega de Governo”, criticou, em declarações à agência Lusa, o lÃder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.
Segundo o dirigente do PS, o primeiro-ministro “é o responsável exclusivo, único pela composição do Governo” e o lÃder socialista, José LuÃs Carneiro, já tinha transmitido a LuÃs Montenegro “que era muito urgente tomar as medidas necessárias para salvaguardar as instituições democráticas”.
“E, nesse sentido, mais uma vez exortamos o senhor primeiro-ministro a pôr ordem no Governo e a defender o respeito pelas instituições, que é aquilo que neste momento está em causa”, pediu.
Questionado se o único caminho para LuÃs Neves é sair do Governo, Eurico Brilhante Dias não respondeu diretamente e disse apenas: “o caminho central é o senhor primeiro-ministro exercer as funções de primeiro-ministro e colocar ordem no Governo. Isso passa por tomar seguramente decisões difÃceis”.
Para o lÃder parlamentar do PS chegou-se a um “momento limite”.
“Nós já temos um membro do Governo que apela à PolÃcia Judiciária para abrir um inquérito a outro colega de Governo, neste caso o ministro da Administração Interna, que foi Diretor-Geral da PolÃcia Judiciária”, disse.
A PJ, de acordo com Eurico Brilhante Dias, está sob “um escrutÃnio de todo inédito”.
“O escrutÃnio é necessário, mas salvaguardar as instituições também e, neste momento, o Governo apresenta disfuncionalidades. É evidente que, neste momento, há dois ministros no Governo, um a promover o inquérito ao outro”, defendeu.
Para o dirigente do PS este é o momento de LuÃs Montenegro “assumir as suas responsabilidades” e “colocar ordem no Governo”.
“O PS não tem por norma pedir a demissão de membros do Governo. Mesmo no caso do ministro Fernando Alexandre que, por negligência polÃtica e incompetência criou uma autêntica barafunda na questão dos exames, salvaguardámos sempre que essa é uma decisão do primeiro-ministro e do próprio. Neste caso, dizemos mais, é naturalmente também uma decisão do próprio, mas é, acima de tudo, uma questão de respeito pelas instituições, de respeito pela PolÃcia Judiciária e, neste caso, garantindo que há um normal funcionamento das instituições”, respondeu, perante a insistência da pergunta sobre se LuÃs Neves se devia demitir.
Na quinta-feira foi conhecido que o Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à PJ na sequência das notÃcias sobre o funcionamento desta polÃcia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, LuÃs Neves.
“Foi determinada a realização de uma avaliação interna, destinada a enquadrar as questões que têm vindo a ser divulgadas pelos meios de comunicação social, notÃcias relativas ao funcionamento interno da PJ e aos processos de avaliação eventualmente instaurados pela Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção, unidade da PolÃcia Judiciária, atentas as competências dessa direção”, confirmou o ministério à Lusa.
Segundo o ministério que tutela a PJ “em paralelo, a Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) — que procede regularmente à auditoria e inspeção de todos os organismos da Justiça — realizará também uma auditoria à PJ.
LuÃs Neves saudou a realização desta auditoria, reiterou que está “absolutamente tranquilo” e “desejoso, se necessário for, de colaborar e contribuir” com o seu “conhecimento para essas questões”.
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