
Sana, 06 ago 2026 (Lusa) — Os rebeldes Huthis do Iémen reivindicaram hoje os ataques contra forças do governo internacionalmente reconhecido do paÃs que provocaram cerca de 40 mortos, alegando que se trata de uma resposta ao reforço dessas tropas apoiadas pela Arábia Saudita.
“As nossas forças armadas levaram a cabo uma operação de grande envergadura contra concentrações de tropas do inimigo saudita”, indicou num comunicado o porta-voz militar dos Huthis, Yahya Saree, denunciando “um importante reforço militar saudita”.
Fontes médicas citadas pela agência de notÃcias France-Presse (AFP) referiram pelo menos 38 mortos nestes ataques, enquanto outras fontes anónimas citadas pela agência espanhola EFE apontaram para 35 soldados mortos.
Os Huthis lançaram pelo menos nove mÃsseis balÃsticos e um número indeterminado de drones contra bases militares das Forças Armadas do Iémen, a oeste de Hadramut e Marib, segundo a EFE.
Trata-se de um dos ataques mais mortÃferos perpetrados pelo grupo rebelde xiita apoiado pelo Irão contra o Governo internacionalmente reconhecido desde a trégua patrocinada pela ONU, que entrou em vigor em 2022 e que se tem mantido em grande medida, apesar de ter expirado poucos meses depois.
O porta-voz militar dos Huthis afirmou que o movimento xiita levou a cabo “uma operação precisa e em grande escala contra concentrações de tropas do inimigo saudita” nessas provÃncias, e afirmou que “centenas de mercenários” contratados pela Arábia Saudita morreram ou ficaram feridos.
Anteriormente, as Forças de Emergência do Iémen, formações militares e de segurança apoiadas pela Arábia Saudita, denunciaram ataques contra “vários acampamentos militares e unidades” das tropas regulares, que causaram “perdas materiais e humanas”.
Os ataques ocorrem no meio de uma forte escalada do conflito no Iémen, depois de, nas últimas semanas, os Huthis terem imposto um bloqueio marÃtimo à Arábia Saudita e lançado mÃsseis e drones contra o seu território, o que levou Riade a responder e até a criar uma coligação para proteger o Mar Vermelho.
Entretanto, o Governo iemenita reconhecido internacionalmente anunciou uma série de medidas militares e de segurança destinadas a contrariar o grupo apoiado pelo Irão.
A guerra civil no Iémen eclodiu depois de os Huthis terem tomado a capital, Sana, no final de 2014, o que provocou uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte, em apoio ao Governo.
Atualmente, as principais frentes terrestres no Iémen mantêm-se praticamente congeladas desde que entrou em vigor um cessar-fogo mediado pela ONU em abril de 2022, apesar de o acordo ter expirado formalmente seis meses depois.
Os Huthis continuam a controlar Sana e a maior parte do norte e noroeste, zonas densamente povoadas, enquanto as forças alinhadas com o Governo internacionalmente reconhecido dominam grande parte do sul e do leste, onde ocorreram estes ataques.
As tensões nessas frentes aumentaram este ano, especialmente à medida que se intensifica o confronto mais alargado entre os Huthis e a Arábia Saudita.
Os Huthis integram o chamado “eixo de resistência”, uma coligação liderada pelo Irão de que faz parte também o grupo extremista palestiniano Hamas, o movimento libanês do Hezbollah e milÃcias armadas xiitas iraquianas.
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