
Kinshasa, 05 ago 2026 (Lusa) — O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou hoje durante uma visita à República Democrática do Congo (RDCongo) que a epidemia de Ébola está a propagar-se mais depressa do que os esforços para a combater.
Quase três meses após o início da epidemia, o número de novos casos está a duplicar em alguns dos focos mais afetados, escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus na rede social X, após uma reunião com responsáveis governamentais na capital, Kinshasa. Esta foi a segunda visita do diretor-geral da OMS ao país da África Central desde que a epidemia foi declarada, em meados de maio.
“Todos concordamos que é necessário aumentar urgentemente e de forma massiva todos os nossos esforços em todas as frentes da resposta e com a participação de todos os parceiros”, escreveu Tedros.
Tedros apelou a medidas que permitam chegar a todas as localidades afetadas, reforçar a coordenação sob a liderança do Governo e proteger os profissionais de saúde.
“Acima de tudo, as comunidades têm de estar no centro da resposta e assumir a sua liderança”, afirmou.
Até segunda-feira, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde da RDC, foram registados 3.874 casos confirmados, incluindo 1.751 mortes.
Na província de Ituri, epicentro do surto, famílias relataram que muitos profissionais de saúde da linha da frente entraram em greve, agravando o acesso aos cuidados de saúde, já comprometido pelo conflito com grupos rebeldes numa das regiões mais remotas e vulneráveis do leste da RDCongo, junto às fronteiras com o Sudão do Sul, Uganda e Ruanda.
Embora alguns trabalhadores afirmem ter começado a receber os pagamentos relativos ao trabalho realizado desde o início da epidemia, continuam a exigir melhores salários.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou hoje que vai disponibilizar mais 242 milhões de dólares (cerca de 208 milhões de euros) para apoiar a resposta imediata ao Ébola, os esforços de preparação na região e a assistência humanitária.
Esta epidemia ultrapassou todas as anteriores em velocidade de propagação e é já a segunda maior alguma vez registada, apenas atrás da epidemia de África Ocidental entre 2014 e 2016, que contabilizou mais de 28.000 casos e mais de 11.000 mortes.
O vírus Bundibugyo, responsável pela atual propagação da doença, não dispõe de tratamento nem de vacina aprovados.
As autoridades locais acreditam que começou a circular numa zona remota muito antes de ter sido oficialmente declarado, em 15 de maio.
O diretor-geral do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, afirmou na terça-feira, durante uma visita a Bunia, que o rastreio de contactos não está a funcionar, uma vez que entre 60% e 70% dos novos casos surgem fora do grupo de pessoas que estava a ser monitorizado após contacto com doentes.
Segundo as autoridades, a deteção tardia dos casos tem sido um dos principais fatores para a taxa de letalidade de 45%.
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