Israel passa a exigir aprovação do chefe do Estado-Maior antes de qualquer ataque a Gaza

Telavive, 04 ago 2026 (Lusa) — Todos os ataques israelitas na Faixa de Gaza terão, a partir de agora, de contar com a aprovação prévia do chefe do Estado-Maior do exército israelita, o tenente-general Eyal Zamir, avançou hoje a rádio militar israelita Galatz.

A medida representa um endurecimento das regras de ataque do exército, que até agora permitiam este tipo de operações com a autorização de um comandante de divisão, de acordo com a mesma fonte.

A Galatz assinalou uma recente redução dos bombardeamentos israelitas em Gaza, que corresponderia diretamente a essa alteração de procedimento.

A emissora militar acrescentou que, nas últimas 48 horas, não se registaram ataques israelitas na Faixa de Gaza, com a exceção de uma ação na madrugada de segunda-feira.

No entanto, apesar da trégua que o movimento palestiniano Hamas e Israel acordaram em outubro de 2025, a situação no enclave palestiniano não corresponde a um cessar-fogo.

Ainda no domingo, o exército israelita matou pelo menos 18 habitantes de Gaza e feriu dezenas, na sequência de um aumento significativo do número de ataques nos dias anteriores.

Estes bombardeamentos ocorreram após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um acordo para o “desarmamento total” do Hamas.

As etapas para o fim das hostilidades partilhadas pela administração Trump preveem a eliminação progressiva das capacidades militares do Hamas e de outras fações de Gaza, bem como o desmantelamento de túneis e arsenais e um sistema de supervisão internacional durante o processo.

Estabelece ainda que a primeira condição para se avançar é a cessação total das “operações militares” israelitas e do Hamas, bem como o cumprimento das obrigações previstas no acordo de cessar-fogo de outubro, além de prever uma retirada gradual das forças israelitas.

Ainda hoje o Qatar instou Israel a cumprir o acordo para Gaza após o Hamas ter aceitado o plano para o seu desarmamento.

“O lado palestiniano e o Hamas expressaram o seu compromisso com o que foi acordado no ‘guião’, e esperamos que o lado israelita cumpra integralmente os seus compromissos, retire-se de Gaza e respeite o direito internacional”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa em Doha.

Donald Trump anunciou na quinta-feira um pacto para o “desarmamento total” do Hamas, no qual Israel se compromete com os termos do Protocolo de Sharm el-Sheikh, assinado em outubro de 2025, em particular a “cessação das operações militares” no enclave, segundo o guião publicado pelo Conselho da Paz para Gaza, órgão patrocinado pelo líder norte-americano.

No entanto, na segunda-feira, Israel partilhou “graves preocupações de segurança” com os Estados Unidos relativamente à proposta de acordo de desarmamento com o Hamas.

Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, Doron Spielman, afirmou à agência norte-americana Associated Press que a avaliação dos serviços de informação israelitas indica que o Hamas continua empenhado em reconstruir a sua capacidade militar em vez de se desmilitarizar genuinamente.

  

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