Ataque à Unitel ainda afeta negócios e liquidação de dívidas em Luanda

Luanda, 04 ago 2026 (Lusa) — Negócios condicionados, matrículas suspensas e dívidas por liquidar estão entre as limitações impostas pela quebra dos pagamentos digitais, relatados à Lusa por habitantes de Luanda, após o ataque cibernético da semana passada à Unitel, maior operadora angolana de telecomunicações.

Com as transações eletrónicas limitadas, dada as falhas de comunicações que ainda persistem, muitos luandenses ainda com dificuldades de acesso à ‘internet’ acorrem às dependências bancárias para contornar os constrangimentos nas comunicações eletrónicas.

Filas intermináveis, sobretudo à entrada de unidades bancárias em vários pontos de Luanda, foi o que constatou a Lusa, com cidadãos impacientes para acederem ao interior dos bancos para efetuarem depósitos, pagamentos e transferências.

Defronte a uma dependência bancária, no município de Viana, em Luanda, onde aguardava a sua vez na fila, há mais de uma hora, para aceder ao balcão, encontra-se a estudante Madalena Francisco, 21 anos.

Agastada com as “falhas” nas comunicações e nas transações por via do “multicaixa express”, popular aplicação que permite fazer pagamentos e levantamentos sem cartão, a também comerciante contou que os seus negócios estão hoje paralisados porque não consegue fazer e receber pagamentos por via eletrónica.

“Os negócios que eu faço estão condicionados, não consigo receber pagamentos e não consigo fazer pagamentos, por exemplo, agora tenho coisas em dívida, ou seja, não havia necessidade de as pessoas me deverem se a rede estivesse boa”, lamentou.

Madalena tem igualmente as compras condicionadas: “Porque o meu [multicaixa] express não está a funcionar devidamente dadas às falhas da Unitel e estou aqui na fila do banco, coisa que eu detesto”, atirou.

O recurso ao dinheiro vivo em detrimento do eletrónico, está a levar nos últimos dias centenas de cidadãos a acorrerem aos bancos, reflexo de que as comunicações eletrónicas continuam “instáveis”, disse à Lusa Mauro Machado.

O pasteleiro e fotógrafo de 27 anos, cujo trabalho exige o recurso às novas tecnologias de informação, queixou-se de dificuldades para aceder à ‘internet’ para utilização de aplicativos de pagamentos.

“Então, agora o dinheiro físico chega a ser mais vantajoso, porque conseguimos pagar o que nós quisermos, por isso vim cá ao banco”, disse.

Uma semana após o ataque cibernético de que foi alvo a Unitel, muitos cidadãos dizem ainda enfrentar enormes constrangimentos para aceder aos serviços eletrónicos.

A operadora considerou tratar-se de um ataque “deliberado e malicioso” e garantiu empenho para a normalização completa dos serviços, depois de ter sido alvo do ataque informático da passada terça-feira.

Contudo, a estudante Telma Fernandes, contou que as atuais circunstâncias limitam, inclusive, o uso do seu cartão multicaixa para transações correntes, pelo que o recurso a um banco para aceder ao dinheiro físico é inevitável, nesta fase.

“Utilizo mais o dinheiro eletrónico, mas atendendo à circunstância em que nos encontramos devido à quebra da rede estou a usar mais o dinheiro físico”, referiu, descrevendo ainda dificuldades para utilizar o “multicaixa express”.

“Tinha de fazer alguns pagamentos, algumas matrículas não pude fazer até agora, atendendo à circunstância da rede (…) e estamos aqui na fila do banco a ver se conseguimos tirar [dinheiro] no balcão”, queixou-se Telma, que, se encontrava numa longa fila há duas horas.

Roberto Segunda, jovem desempregado de 22 anos, relatou “desvantagens” do recurso ao dinheiro eletrónico, dada as “falhas” da Unitel, salientando que se viu “forçado” a acordar cedo para ir ao banco, dada as “enchentes habituais dos últimos dias”.

“Quando há dinheiro eletrónico não tem necessidade de sair de casa, posso fazer transferências, fazer pagamentos e a compra chega em casa, mas agora a situação complicou”, atirou.

O multicaixa express foi o canal mais utilizado pelos angolanos para transações em 2025, concentrando 62% das operações da rede segundo dados da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS).

DAS // JMC

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