
Lisboa, 25 jul 2026 (Lusa) — O ex-presidente do PSD Rui Rio considerou que o caso LuÃs Neves “abala profundamente” a credibilidade do PSD e do Governo, mas também do PS, considerando que polémicas como esta alimentam partidos populistas como o Chega.
Em entrevista à SIC-NotÃcias, na sexta-feira à noite, Rui Rio disse que, se fosse primeiro-ministro, teria pedido rápidos esclarecimentos ao ministro da Administração Interna e, se não fossem satisfatórios, já o teria demitido.
Para o antecessor de LuÃs Montenegro à frente do PSD, as suspeitas sobre o ministro só se resolvem com rápidas explicações de LuÃs Neves.
Caso contrário, responsabiliza além de LuÃs Neves, o PSD, o Governo e o PS que, ao permitirem esta demora, estão dar “um verdadeiro ‘filet mignon’ ao Chega”, partido que já anunciou um inquérito parlamentar ao caso.
Sublinhando que “é a primeira vez” que faz esta apreciação desde que saiu da liderança do PSD — em 2022 -, Rui Rio considerou que o caso é “profundamente nocivo” para os sociais-democratas, distinguindo-o, por exemplo, dos problemas com os exames nacionais, que diz apenas “afetaram conjunturalmente” o ministro da Educação e o Governo.
“Este caso, que é um caso de regime, é um caso ético, está a abalar profundamente a credibilidade do PSD – e também do PS, mas agora estou preocupado com o PSD”, disse.
Para Rui Rio, sem explicações, os portugueses percecionam LuÃs Neves como sendo intocável, quer pelas suspeitas quer pela forma como tem adiado os esclarecimentos.
“Em termos estruturais, preocupa-me que o PSD e o Governo, ao estar a permitir isto, está-se a descredibilizar estruturalmente (…) Isto é mais uma pazada de terra em cima da democracia e o lado aparece o Chega a usufruir e PS e PSD oferecem isto de bandeja”, lamentou.
Questionado se o tema pode ainda afetar o Presidente da República, Rui Rio admitiu que sim, embora compreenda que António José Seguro não possa falar publicamente sobre esta polémica.
“Espero que o Presidente da República tenha falado com o primeiro-ministro, mas se se isto continua assim em lume brando vai sobrar para o Presidente”, alertou.
Rio admitiu que, tal como outro antigo lÃder do PSD Passos Coelho, não concordou com a passagem direta de LuÃs Neves da PolÃcia Judiciária (PJ) para o Governo, apesar de não o ter dito publicamente, e criticou igualmente a atitude do PS.
“É intrigante que o PS ataque ferozmente Fernando Alexandre e Ana Paula Martins e depois este caso, que do ponto de vista ético é muitÃssimo mais grave, ande com paninhos quentes e passe entre pingos da chuva”, criticou, dizendo até perceber melhor o pedido de inquérito parlamentar do Chega aos mandatos de LuÃs Neves na PJ do que o do PS sobre os exames nacionais.
Na sexta-feira, LuÃs Neves reiterou que, a seu tempo, prestará esclarecimentos sobre as obras numa sua casa e do atrelado encontrado na empresa do construtor que fez os trabalhos e disse que “ainda bem” que o Chega anunciou uma comissão parlamentar de inquérito aos seus mandatos como diretor da PJ.
A 17 de julho, a PolÃcia Judiciária (PJ) anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
No mesmo dia, a Procuradoria-geral da República (PGR) confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba'”.
A polémica teve inÃcio no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando LuÃs Neves era diretor nacional.
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