
BrasÃlia, 23 jul 2026 (Lusa) – O Brasil registou 1.571 vÃtimas de feminicÃdio – quatro mulheres mortas por dia – em 2025, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, apontam os novos dados divulgados pelo “20.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026”.
Os números agora divulgados representam quatro mulheres mortas por dia, o valor mais elevado desde a criação deste tipo penal, em 2015, conforme a série histórica contabilizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Este resultado marca ainda o quarto ano seguido de recordes nos assassinatos motivados por género, consolidando uma tendência de crescimento iniciada na última década em todo o território nacional.
Enquanto os homicÃdios gerais caÃram 10%, a violência letal especÃfica contra a mulher seguiu a tendência oposta, revelando que a redução da criminalidade não beneficia igualmente todos os grupos sociais, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
No perfil das vÃtimas detalhado pelo relatório, as mulheres negras permanecem como o alvo principal, representando 65,1% das ocorrências de feminicÃdio confirmadas pelas autoridades policiais no último ano.
Quase dois terços dos assassinatos ocorreram no ambiente doméstico, sendo que 79,8% dos autores identificados eram parceiros ou ex-companheiros das vÃtimas, o que reforça o caráter relacional e privado dessa modalidade extrema de violência.
Além dos casos consumados, o Brasil registou 4.189 tentativas de feminicÃdio em 2025, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.
“Em outras palavras, para cada feminicÃdio consumado registado no paÃs houve quase três tentativas. (…) As mulheres que hoje figuram nessa estatÃstica podem representar, amanhã, parte das vÃtimas de feminicÃdio consumado”, destaca, no relatório, a organização não-governamental.
O incumprimento de medidas protetoras também cresceu 16,7%, somando 132.025 registos que funcionam como sinais claros de alarme antes da morte, mas que muitas vezes não recebem o tratamento adequado das instituições do Estado brasileiro, acrescenta.
Segundo o estudo, o Amapá teve o maior crescimento, com um aumento de 347,7%, enquanto o Acre registou o Ãndice mais elevado do paÃs, com 3,2 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres brasileiras.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública sustenta que apenas medidas repressivas são insuficientes, sendo urgente uma agenda baseada em prevenção, educação e transformação de normas sociais para interromper o ciclo de abusos contra as mulheres.
MYMA // MLL
Lusa/Fim



