
Lisboa, 23 jul 2026 (Lusa) – Portugal manteve-se fortemente dependente do exterior em produtos lácteos, cereais (exceto arroz) e frutos em 2025, mas registou um aprovisionamento excedentário em arroz, azeite e vinho, de acordo com as estatÃsticas agrÃcolas divulgadas hoje pelo INE.
Os graus de autoaprovisionamento do paÃs fixaram-se em 88,4% no leite e derivados, 16,8% nos cereais e 72,6% nos frutos, mas com o arroz a destinar metade da produção à exportação, registando um grau de autoaprovisionamento de 119,3%.
Além do arroz, o azeite (247,9%) e o vinho (107,2%) mantiveram posições excedentárias.
O grau de autoaprovisionamento de 88,4% nos produtos lácteos ficou abaixo do ano anterior. “O leite para consumo público, a manteiga e o leite em pó mantiveram-se excedentários, enquanto os leites acidificados, as bebidas à base de leite e o queijo continuaram a apresentar défices de abastecimento”, indicou o INE.
Na campanha 2024/2025, o autoaprovisionamento dos cereais (exceto arroz) manteve-se muito reduzido (16,8%), evidenciando “a forte dependência do exterior”.
Já o grau de autoaprovisionamento dos frutos foi de 72,6%, mantendo-se uma situação deficitária apesar do aumento da produção e do consumo.
Em sentido oposto, os dados do INE indicam que o azeite reforçou a posição excedentária, atingindo um grau de autoaprovisionamento de 247,9%, naquela que foi a segunda campanha mais produtiva de sempre.
Também o vinho manteve um grau superior à autossuficiência (107,2%), apesar da redução da produção face ao ano anterior. Contudo, as exportações aumentaram e as importações diminuÃram, de acordo com o INE.
No ano passado, a produção interna contribuiu com 75,1% da quantidade de carne necessária para satisfazer o mercado nacional, embora com menos 1,1 pontos percentuais do que no ano anterior.
Apesar da quebra no consumo, a carne de animais de capoeira continuou a ser a mais consumida (47,3 quilogramas (kg)/habitante), comparando com 49,3 quilogramas (kg)/habitante em 2024, seguida da carne de suÃno (40,6 kg/habitante contra 41,6 kg/habitante em 2024).
Em 2025, o rendimento da atividade agrÃcola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), registou uma diminuição de 4,5%, em consequência da redução dos “Outros subsÃdios à produção” (-16,5%), e apesar do aumento nominal do Valor Acrescentado Bruto (VAB) em 2,9%.
Em termos reais, contudo, o VAB diminuiu 3,7%, refletindo sobretudo o decréscimo em volume da produção agrÃcola (-1,4%).
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