Farmacêutica alerta que uma única ponta de cigarro contamina mil litros de água

Madrid, 23 jul 2026 (Lusa) – Uma única ponta de cigarro pode contaminar até 1.000 litros de água “em concentrações que excedem os limites de segurança para a vida aquática”, libertando rapidamente nicotina e mais de 7.000 substâncias químicas tóxicas na água potável urbana.

O alerta foi lançado pela empresa farmacêutica Aflofarm, que estima que 4,5 triliões de pontas de cigarro sejam descartadas anualmente em todo o mundo.

Como os seus filtros de acetato de celulose são feitos de plástico não biodegradável, representam a segunda maior fonte de poluição plástica do planeta.

Esta poluição consome 22 mil milhões de toneladas de água, destrói 600 milhões de árvores anualmente e custa mais de 8 milhões de vidas por ano, segundo o comunicado, que alertou ainda para os riscos associados aos resíduos desta indústria nas praias espanholas.

“Os mais vulneráveis são também os mais expostos”, pode ler-se o relatório, citando crianças e animais de estimação.

No primeiro caso, porque os resíduos químicos do tabaco aderem a brinquedos, roupas e superfícies “muito tempo depois do cigarro ter sido apagado”, e no segundo, porque a ingestão de pontas de cigarro ou o contacto com o “fumo residual” que impregna a areia pode causar intoxicação.

O laboratório propõe cinco recomendações para lidar com estes riscos e alcançar um “verão mais saudável para o corpo e para o ambiente” durante as férias de verão, começando por reconhecer a natureza automática do ato de fumar, uma vez que a forte vontade de fumar “dura apenas entre 1 e 2 minutos”.

Por isso, a farmacêutica sugere parar e respirar o ar do mar para conter a vontade de acender um cigarro.

A segunda medida é proteger as crianças e os animais de estimação, evitando fumar na sua presença, e a terceira e mais crucial é recolher sempre as pontas de cigarro em vez de as deixar na praia, uma vez que são “resíduos perigosos, não lixo comum”.

As outras duas recomendações são substituir o cigarro após o almoço por outras rotinas, como um passeio na praia, “enfraquecendo a associação psicológica com o hábito e aproveitando o ambiente para se desligar”, e procurar ajuda profissional para deixar de fumar, uma vez que isso reduz o risco de doença coronária em 50% num ano e melhora a função pulmonar em poucas semanas.

 

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