
Kiev, 22 jul 2026 (Lusa) — A ONU anunciou hoje o novo plano de resposta para o inverno na Ucrânia para apoiar 2,1 milhões de pessoas, num valor de cerca de 314 milhões de euros.
O plano 2026-2027 pretende apoiar as populações mais vulneráveis em termos de aquecimento, reparação de habitações, cuidados de saúde, alimentos e ajuda financeira, face aos ataques russos a infraestruturas energéticas, de acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).
O coordenador humanitário para a Ucrânia do OCHA, Matthias Schmale, salientou que é importante iniciar os preparativos o quanto antes e agradeceu aos doadores que já enviaram contribuições antecipadas.
“O seu apoio está a permitir que os parceiros humanitários se preparem com antecedência. O plano de resposta para o inverno define as prioridades e os recursos necessários para uma resposta atempada, mas será essencial financiamento adicional para garantir que as pessoas mais vulneráveis em toda a Ucrânia recebam a assistência de que necessitam antes e durante os difÃceis meses de inverno”, afirmou Schmale citado em comunicado.
No relatório divulgado por esta agência da ONU, a assistência direcionada a mais de 2,1 milhões de pessoas inclui cerca de “430.000 pessoas deslocadas e 1,7 milhões de pessoas não deslocadas, através de 17 atividades entre outubro de 2026 e março de 2027”.
Este plano, direcionado a necessidades humanitárias especÃficas para o perÃodo de inverno, atuará em complemento a apoios do Governo ucraniano e outras atividades implementadas no âmbito do Plano de Necessidades e Resposta Humanitárias (HNRP) de 2026 do OCHA.
Este plano de inverno pretende concretizar os apoios necessários que foram identificados no HNRP deste ano.
A Rússia tem visado as infraestruturas energéticas ucranianas ao longo da guerra, que soma mais de quatro anos, e costuma visá-las sobretudo no inverno, afetando o aquecimento de milhões de ucranianos numa região em que o frio é intenso.
Segundo dados da ONU, os bombardeamentos russos a estas infraestruturas visam sobretudo os meses entre abril e outubro, quando o clima fica mais frio, e aumentaram exponencialmente este ano.
No relatório, o OCHA salientou que o novo plano adota uma “abordagem mais diferenciada” em termos de apoio, mantendo na mesma a ajuda a áreas na linha da frente de difÃcil acesso, ao mesmo tempo que procura contribuir para “fazer face à s consequências humanitárias das interrupções prolongadas no abastecimento de energia e nos serviços nos centros urbanos”.
O objetivo passa por “garantir que as pessoas mais vulneráveis possam manter condições de vida seguras, quentes e dignas ao longo de toda a estação do inverno”, adiantou o relatório.
O relatório estimou que para as regiões da linha da frente serão necessários cerca de 225 milhões de euros para apoiar mais de 1,7 milhões de pessoas, 9,5 milhões de euros para apoiar novos casos de deslocação e evacuações, 50,9 milhões de euros para resposta de emergência após bombardeamentos e 28,3 milhões para apoio à proteção humanitária.
Os impactos do inverno na Ucrânia afetam sobretudo “idosos, pessoas com deficiência, deslocados internos, residentes de acampamentos coletivos, as crianças, pessoas com doenças crónicas e os sobreviventes de violência de género”, indicou o OCHA.
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