
Luanda, 21 jul 2026 (Lusa) – O Banco Mundial prevê que Angola cresça 2,7% em média até 2028, abaixo do crescimento da população, de 3,1%, defendendo que o lançamento do Corredor do Lobito é essencial para garantir a “necessária e urgente” diversificação económica.
“Prevê-se que o crescimento se mantenha modesto a médio prazo, com uma média de 2,7% entre 2026 e 2028, impulsionado principalmente pela economia não petrolÃfera; com a contÃnua redução do rendimento per capita, prevê-se que a taxa de pobreza se mantenha elevada, com aproximadamente 4 em cada 10 pessoas a permanecerem na pobreza até 2027”, lê-se no Relatório Económico de Angola, hoje divulgado em Luanda e que salienta que o crescimento dos últimos anos “não foi suficiente para reverter 15 anos de queda do rendimento per capita”.
No documento, que tem como tÃtulo “De Trânsito à Transformação: O Corredor do Lobito como Motor de Diversificação Económica e Integração Regional”, o Banco Mundial alerta que este corredor, que liga por ferrovia a República Democrática do Congo e a Zâmbia ao litoral angolano, no porto do Lobito, é fundamental para garantir a diversificação económica para lá do petróleo, o principal produto de exportação de Angola.
“O desenvolvimento do Corredor do Lobito oferece uma oportunidade transformadora única para acelerar a diversificação económica de Angola através de melhor conectividade, redução de custos logÃsticos e atração de investimentos fora do setor extrativo e dos centros urbanos; no entanto, a concretização deste potencial depende mais de reformas institucionais para além de investimentos em infraestruturas”, aponta-se no documento.
O relatório sobre a economia de Angola, apresentado hoje pela maior instituição multilateral financeira do mundo, vinca que “os setores não petrolÃferos, apoiados por reformas estruturais em curso, particularmente a agricultura, deverão liderar o crescimento da economia, enquanto a produção de petróleo continua a diminuir” e prevê que a dÃvida pública diminua, para 49,1% do PIB em 2027.
“A diminuição do rendimento, a subida dos preços e a forte dependência de um recurso cada vez mais em declÃnio reforçam que Angola precisa de diversificar a sua economia, e com urgência; a forte dependência de Angola do petróleo cria um ciclo de instabilidade económica que tem travado o desenvolvimento dos setores não petrolÃferos e, como resultado, o paÃs não consegue gerar ganhos de produtividade generalizados e nem recursos fiscais suficientes para investir de forma significativa na melhoria da vida do seu povo”, sentencia o Banco Mundial.
O risco destes recursos limitados, concluem os economistas, é “a perpetuação dos desafios atuais”, que passam pela “baixa produtividade, empregos precários, e serviços públicos inadequados”, num contexto em que, na última década, a percentagem de jovens fora do ensino escolar “subiu de 25% para quase 37%, e 4 em cada 10 crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica”.
Enfrentar as vulnerabilidades estruturais de Angola, entre as quais está “a dependência do petróleo, diminuição da produtividade laboral, baixo capital humano e fragilidades institucionais, é fundamental para alcançar um crescimento inclusivo e resiliente”, dizem os economistas do Banco Mundial, elencando que “as reformas prioritárias incluem continuar a racionalizar os subsÃdios aos combustÃveis com proteção adequada para as famÃlias com baixos rendimentos, reforçar a mobilização de receitas internas e investir em infraestruturas de educação, saúde e conectividade”.
Depois, concluem que “melhorar o ambiente empresarial para estimular o desenvolvimento do setor privado e a criação de emprego, ao mesmo tempo que se gerem os riscos globais dos preços do petróleo, determinará se Angola conseguirá fazer uma transição bem-sucedida para uma economia diversificada, competitiva e inclusiva”.
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