
São Tomé, 20 jul 2026 (Lusa) — O candidato presidencial são-tomense Nito d’Abreu não se pronunciou sobre os resultados provisórios que deram vitória ao atual Presidente, tendo a sua candidatura remetido hoje a declaração para o candidato, que não é visto em público desde domingo.
Durante uma conferência de imprensa, o porta-voz da candidatura começou por referir que só se pronunciariam sobre os resultados das eleições presidenciais de domingo quando forem declarados os dados definitivos, mas, perante a insistência dos jornalistas, remeteu a decisão para o próprio candidato, sem indicar a dia do pronunciamento.
Alexandre Guadalupe esclareceu que não pretende afirmar que Nito d’Abreu teve resultados próximos ou que possam igualar os atribuÃdos provisoriamente a Carlos Vila Nova, assegurando que o não reconhecimento nesta altura é apenas uma questão estratégica.
“Não estamos a pôr em causa, nem estamos a incitar algum comportamento que venha a não reconhecer os resultados”, explicou.
Por outro lado, o porta-voz criticou a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) por alguns constrangimentos que a própria instituição admitiu que se registaram no dia da votação, nomeadamente os casos de eleitores que não conseguiram votar porque os nomes não constavam nos cadernos eleitorais.
Para Alexandre Guadalupe, na perspetiva da candidatura, o processo correu “bem, não obstante algumas incidências”.
“Achamos que foi um processo festivo, tendo em conta a participação na campanha eleitoral. Mas, contrariamente a isso, notamos que essa participação dos eleitores no processo de voto, foi algo relativamente confuso e irregular”, declarou.
O polÃtico referia-se sobretudo a falhas admitidas pela CEN há quase dois meses, quando se concluiu o processo de recenseamento automático e atualização dos cadernos eleitorais feitos pela primeira vez a partir da base de dados do registo civil.
“Todo o processo de recenseamento eleitoral, entendemos que não foi o mais perfeito, porquanto muitos eleitores ficaram de fora do caderno eleitoral”, disse o também deputado da ADI, que votou a aprovação da lei do recenseamento automático, apesar da crÃtica e alerta do ex-presidente do parlamento Delfim Neves, o único que se opôs, por defender que o processo automático não deveria ser implementado nestas eleições, antes de ser devidamente testado.
“Outro aspeto, tem a ver com aquilo que podemos dizer que ganhou as eleições, que é a abstenção massiva, nunca antes visto, que ronda os 60% da população”, apontou.
Guadalupe admitiu que a taxa de abstenção “é uma expressão clara de algum protesto que os cidadãos fizeram no sentido de dizer que não estão satisfeitos” com a classe polÃtica e os problemas socioeconómicos que continuam no paÃs.
O candidato Nito d’Abreu não fez qualquer pronunciamento público desde a manhã de domingo quando votou em Almeirim, a poucos quilómetros da capital.
Na altura, o candidato anunciou que só aceitaria os resultados se estes fossem justos e sem fraude.
Questionado hoje se havia falado com o candidato Nito d’Abreu, o Presidente reeleito de São Tomé e PrÃncipe, Carlos Vila Nova, disse que aguardava que “este procedimento ético se faça”.
A Comissão Eleitoral Nacional (CEN) anunciou hoje que os dados provisórios dão ao atual Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, 55,94% dos votos, contra os 41,92% do principal adversário, Nito d’Abreu.
Os outros dois candidatos não chegaram aos 2%: Eugénio Tiny e Miques João arrecadaram, respetivamente, 1,07% e 1,58%, sendo que a taxa de abstenção foi de 58,81%.
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