
Luanda, 20 jul 2026 (Lusa) — Portugal representava 2% da dÃvida governamental angolana no final de junho, cerca de 1,2 mil milhões de euros, surgindo pela primeira vez destacado entre os credores, segundo dados divulgados hoje em Luanda.
Os dados constam do balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) do primeiro semestre, apresentado no Museu da Moeda, em Luanda, pelo diretor-geral da Unidade de Gestão da DÃvida Pública (UGD) de Angola, Dorivaldo Teixeira.
Questionado pela Lusa, o responsável explicou que o peso de Portugal, até agora englobado entre os outros credores internacionais, resulta do aumento dos desembolsos feitos ao abrigo da linha de financiamento bilateral, que existe há cerca de 12 anos e permite acesso a crédito para projetos em curso no paÃs, como a Marginal da Corimba e a reabilitação da Fortaleza do Penedo, em Luanda, e da catedral conhecida como Kulumbimbi, em Mbanza Congo.
“À medida que se vai construindo e vamos pagando aos empreiteiros, a dÃvida vai subir”, afirmou Dorivaldo Teixeira, justificando o destaque dado a Portugal na apresentação.
A linha de crédito de Portugal a Angola ascende globalmente a 3,25 mil milhões de euros, depois de ter sido reforçada em 750 milhões de euros em julho de 2025, conforme anunciou na altura do primeiro-ministro, LuÃs Montenegro.
Segundo o responsável da UGD, os três maiores credores de Angola mantêm-se: o mercado doméstico, que aumentou o seu peso para cerca de 29% (28% em 2025), seguido do mercado internacional de dÃvida titulada, sobretudo o Reino Unido, que subiu de 22% para 25% por via do investimento em Eurobonds, e da China, cuja quota recuou de 19% para 17%.
A trajetória da dÃvida à China mantém-se descendente, afirmou Dorivaldo Teixeira, indicando que a componente colateralizada (com o petróleo como garantia) se situa em cerca de 6,8 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros).
Os Estados Unidos representavam 12% do “stock” de dÃvida (13% em 2025), sendo o endividamento sobretudo por via das instituições multilaterais, nomeadamente o Banco Mundial e o FMI.
Sobre um eventual regresso aos mercados internacionais no segundo semestre, Dorivaldo Teixeira afirmou que “é uma incógnita” e dependerá de dois fatores: a existência de uma janela de oportunidade com taxas de juro favoráveis e o limite do plano anual de endividamento.
O aumento da receita petrolÃfera, impulsionado pela subida do preço do crude, poderá também ajudar o Estado no segundo semestre, acrescentou.
A dÃvida governamental angolana atingiu 72,04 mil milhões de dólares (61,4 mil milhões de euros) no final de junho, mais 9,12% do que em dezembro de 2025.
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