Moçambique lança plano de 153 ME para reduzir mortalidade infantil até 2030

Maputo, 20 jul 2026 (Lusa) – Moçambique pretende reduzir até 2030 a mortalidade infantil, até 5 anos, de 60 para menos de 35 por mil nados-vivos, conforme um plano lançado hoje, orçado em mais de 175 milhões de dólares (153,3 milhões de euros).

“Queremos assegurar que todas as crianças, independentemente do seu local de nascimento, o seu sexo ou condição socioeconómica tenha acesso aos cuidados de saúde de forma igual, equitativa e sustentáveis e sobreviva a vários desafios que encontra nas várias etapas da vida”, disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes.

O responsável falava em Maputo, no lançamento do Plano de Ação para a Sobrevivência Infantil (PASI 2026-2030), coordenado pelo Ministério da Saúde, instrumento orientado para acelerar a redução da mortalidade infantil em Moçambique através da expansão e melhoria do acesso a cuidados primários de saúde de qualidade, do reforço da nutrição, da imunização e da resposta às principais causas de mortalidade entre crianças.

Segundo Quinhas Fernandes, os principais objetivos estratégicos do plano são o fortalecimento das ações de sobrevivência infantil, a garantia de financiamento e o reforço da disponibilidade e distribuição equitativa de medicamentos, insumos e infraestruturas, de forma a assegurar o fornecimento de serviços de qualidade aos cidadãos.

O PASI 2026-2030 tem um orçamento estimado em pouco mais de 175 milhões de dólares e visa melhorar a saúde infantil, tendo Quinhas Fernandes destacado que Moçambique reduziu consideravelmente a mortalidade de crianças menores de cinco anos entre 2000 e 2023, passando de 152 para 60 por mil nados-vivos.

O plano pretende igualmente contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, mas o país admite que os números atuais continuam elevados e pretende travar mortes por prematuridade, asfixia ou trauma, anomalias congénitas, infeções neonatais e outras consideradas “preveníveis ou evitáveis”.

“É um número bastante elevado [60 por mil], embora reconheçamos os progressos que fizemos. Mas 60 em cada mil nascimentos vivos ainda é um número que deve nos preocupar, sobretudo porque sabemos que muitas destas crianças morrem de causas evitáveis”, disse Quinhas Fernandes.

Durante o lançamento do plano, a primeira-dama de Moçambique, Gueta Chapo, defendeu que são necessários mais esforços para salvar crianças de mortes evitáveis.

“Que façamos da sobrevivência infantil um verdadeiro movimento de cidadania, que una o Estado, o setor privado, os parceiros nacionais e internacionais, às comunidades e a todas as famílias. A vida de uma criança tem apenas ma bandeira, a bandeira da República de Moçambique”, disse Gueta Chapo.

Para a responsável, salvar menores de 5 anos das doenças não é apenas papel do executivo, tendo pedido ações concretas das famílias moçambicanas, líderes comunitários e religiosos, parceiros, profissionais de saúde, professores e órgãos de comunicação social para proteger as crianças.

“Uma nação mede a grandeza do seu futuro pela forma como protege aqueles que ainda não tem voz para defender o seus próprios direitos. Cada criança que nasce representa uma promessa, um sonho, uma oportunidade para continuar a construir um Moçambique melhor, justo, forte e mais saudável e mais próspero”, disse a primeira-dama de Moçambique.

PME // VM

Lusa/Fim