Venezuela quer utilizar ativos congelados na reconstrução do país e pede desbloqueio

Caracas, 08 jul 2026 (Lusa) — A Venezuela solicitou hoje o desbloqueio dos seus ativos congelados no âmbito das sanções internacionais impostas a Caracas, de modo a utilizar essas verbas na reconstrução do país após o duplo sismo de 24 de junho.

“Queremos lançar um apelo a todos os países que ainda mantêm bloqueados fundos pertencentes à Venezuela, para que possamos dar início a um plano de desbloqueio desses fundos e utilizá-los na reconstrução”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yvan Gil, durante uma reunião ‘online’ do Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).

“Temos, em diferentes partes do mundo, contas pertencentes ao Estado venezuelano que foram congeladas na sequência de sanções ilegais”, sublinhou.

Tom Fletcher, secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários e coordenador da ajuda de emergência, encontra-se atualmente na Venezuela e reuniu-se com as autoridades do país.

A 26 de junho, o Governo norte-americano suspendeu por quatro meses as sanções económicas contra a Venezuela, para não dificultar as operações de socorro no país, devastado pelo duplo sismo que fez milhares de vítimas e deixou um rasto de destruição.

Washington tinha submetido a Venezuela a um forte cerco de sanções, em particular a partir de 2019, com o objetivo de tornar insustentável a situação para o regime de Caracas, liderado até ao início deste ano pelo chavista Nicolás Maduro, considerado ilegítimo pelos Estados Unidos.

Desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, mandou capturar Nicolás Maduro no início de janeiro, as relações com Caracas mudaram significativamente.

O executivo norte-americano apoia a Presidente interina Delcy Rodríguez e está a levantar gradualmente as sanções, nomeadamente para desenvolver a exploração dos imensos recursos petrolíferos da Venezuela.

O balanço do duplo sismo ascende agora a 3.685 mortos e 16.740 feridos, segundo os mais recentes dados das autoridades.

Entre os mortos, há pelo menos 102 portugueses e lusodescendentes, e outros 57 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

As Nações Unidas estimam os prejuízos em 6,7 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros, ao câmbio atual), o que corresponde a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, mergulhado numa grave crise há vários anos.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

 

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