PR defende estabilidade política e diálogo nacional para desenvolver Moçambique

Maputo, 08 jul 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano defendeu hoje que a estabilidade política e o Diálogo Nacional Inclusivo são condições indispensáveis para o desenvolvimento do país, pedindo construção de consensos nacionais para responder aos desafios económicos e sociais das próximas décadas.

Na abertura da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Daniel Chapo, no cargo desde janeiro de 2025, afirmou que o país atravessa um momento marcado pela consolidação de um novo ciclo político, assente no aprofundamento do Diálogo Nacional Inclusivo e no reforço da confiança entre os cidadãos e as instituições.

Segundo o chefe de Estado, o processo em curso deve ser entendido como um instrumento de construção nacional.

“Mais do que um processo de natureza política, o diálogo nacional inclusivo representa a afirmação de uma nova cultura de construção nacional, baseada na participação de todos os moçambicanos, na escuta recíproca, na procura permanente de consensos e na valorização do contributo de todas as forças vivas da sociedade moçambicana”, declarou.

O processo de Diálogo Nacional Inclusivo foi lançado em 2025, após cinco meses de contestação e violentos protestos pós-eleitorais que provocaram mais de 400 mortos em Moçambique.

Na intervenção de hoje, Chapo assumiu que os principais desafios do país exigem respostas construídas coletivamente. “É a expressão da convicção de que os grandes desafios nacionais encontram as suas melhores respostas quando o país senta, para, reflete, pensa e decide em conjunto”, disse.

As declarações surgem numa altura em que decorrem audições públicas do Diálogo Nacional Inclusivo, que tem como objetivos definir propostas de reforma do Estado, incluindo a revisão constitucional, descentralização da governação, reconciliação nacional e a definição de forças de segurança apartidárias.

No final de junho, a Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (Cote) admitiu mesmo a possibilidade de o país avançar para uma nova Constituição e uma “nova República”, caso prevaleça, nas consultas em curso, o cenário de reforma profunda do Estado.

Segundo o presidente da Cote, Edson Macuácua, entre os cenários em análise estão desde ajustamentos ao atual modelo de governação até mudanças estruturais que poderão implicar a elaboração de uma nova lei fundamental através de uma assembleia constituinte.

A conferência de hoje, que decorre sob o lema “Do Balanço à Ação — Rumo ao Desenvolvimento Integrado do País”, foi enquadrada por Daniel Chapo como uma extensão da lógica de diálogo e participação para o domínio do desenvolvimento económico e social.

“Se o diálogo nacional inclusivo procura construir consenso sobre matérias políticas, institucionais, económicas e sociais estruturantes para o futuro da nação, esta conferência aprofunda esta reflexão de forma estratégica sobre os caminhos de desenvolvimento inclusivo e sustentável”, sustentou.

O encontro pretende avaliar o percurso de desenvolvimento de Moçambique entre 2000 e 2025 e promover consensos sobre estratégias, reformas e prioridades para as próximas décadas.

Durante a intervenção, Chapo destacou a participação de parceiros de cooperação, universidades, centros de investigação, organizações da sociedade civil e setor privado, considerando que a adesão demonstra o interesse coletivo na definição do futuro do país.

“Essa ampla adesão demonstra que a reflexão sobre o futuro de Moçambique é hoje entendida como uma responsabilidade coletiva e partilhada de todos os moçambicanos”, afirmou.

Chapo insistiu que a responsabilidade pelo desenvolvimento do país não cabe apenas ao Governo: “Cada um tem um papel insubstituível, porque nenhuma estratégia nacional terá sucesso se não for apropriada por toda a sociedade”.

Ao abordar a relação entre estabilidade política e progresso económico, o Presidente reiterou a aposta no diálogo nacional inclusivo como mecanismo permanente de construção de consensos.

PVJ // VM

Lusa/Fim