
Maputo, 08 jul 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano afirmou hoje que os próximos 25 anos devem servir para consolidar a independência económica do paÃs, defendendo a transformação dos recursos naturais em prosperidade, redução das desigualdades e a construção de um desenvolvimento mais inclusivo.
“Cabe agora à nossa geração escrever um novo capÃtulo dessa história, fazer dos próximos 25 anos o tempo de construção da nossa independência económica e da consolidação de um Moçambique cada vez mais desenvolvido, competitivo e inclusivo”, disse Daniel Chapo, na abertura, em Maputo, da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique.
Sob o lema “Do Balanço à Ação — Rumo ao Desenvolvimento Integrado do PaÃs”, a iniciativa pretende avaliar o percurso de desenvolvimento entre 2000 e 2025 e construir consensos sobre as estratégias para as próximas décadas.
“Não nos reunimos apenas para revisitar a nossa história, mas estamos aqui para retirar dela as lições e ilações que nos permitam construir um Moçambique para todos os moçambicanos e sustentável”, disse.
Ao centrar a sua intervenção na visão para os próximos 25 anos, Chapo defendeu que o paÃs deve aproveitar o encerramento do ciclo da Agenda 2025 para projetar um novo modelo de desenvolvimento.
Segundo o Presidente, a conferência coincide com um momento particularmente importante para Moçambique, marcado pela definição de novos instrumentos estratégicos e pela procura de consensos nacionais sobre o futuro: “O desenvolvimento não acontece por acaso. O desenvolvimento constrói-se com visão e com instituições fortes e credÃveis, com polÃticas consistentes”.
Chapo considerou que, apesar dos avanços registados desde 2000, Moçambique continua confrontado com desafios estruturais que limitam o alcance do crescimento económico, como a persistência da pobreza, das desigualdades sociais e territoriais, as dificuldades de industrialização, os baixos nÃveis de produtividade e a insuficiente criação de oportunidades para jovens e mulheres.
“A verdade é que crescemos, mas ainda precisamos transformar esse crescimento em produtividade e prosperidade para o povo moçambicano”, admitiu.
Para o chefe de Estado, uma das prioridades do próximo ciclo de desenvolvimento passa por reduzir a “dualidade económica”, aproximando os benefÃcios dos grandes investimentos da realidade vivida pela maioria da população.
“Uma das grandes tarefas deste novo ciclo de governação consiste precisamente em reduzir a distância entre a economia extrativa moderna, que cresce impulsionada pelos grandes investimentos, e a economia doméstica, ainda pouco produtiva, onde vive e trabalha a maioria dos moçambicanos”, afirmou.
Defendeu que os investimentos de grande dimensão, incluindo os ligados ao setor do gás natural, devem impulsionar igualmente a agricultura, a indústria, o turismo e as pequenas e médias empresas.
“O nosso desafio é assegurar que o dinamismo dos grandes projetos impulsione igualmente a agricultura comercial, a indústria nacional, o turismo, as pequenas e médias empresas e a criação de emprego em todo o território nacional”, disse.
Ao traçar a visão para 2050, Daniel Chapo sustentou que o futuro do paÃs não pode depender apenas da exploração dos recursos naturais, apesar do potencial associado ao gás, aos recursos minerais, agrÃcolas e marinhos.
“A abundância de recursos por si só não produz desenvolvimento. O desafio da nossa geração é transformar riqueza natural em riqueza nacional e crescimento económico em desenvolvimento inclusivo e sustentável”, assumiu.
Apontou como áreas fundamentais para os próximos anos a diversificação da economia, a valorização do conteúdo local, a modernização da administração pública, a digitalização dos serviços do Estado e o combate à corrupção, reconhecendo que o desenvolvimento exige igualmente instituições mais eficientes e próximas dos cidadãos.
“Um desenvolvimento verdadeiramente inclusivo exige instituições próximas do cidadão, cidadãos Ãntegros, dispostas a servir e a não se servir”, afirmou.
PVJ // VM
Lusa/Fim



